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Economia

Como tarifa sobre importação de Trump pode afetar o crescimento econômico do ES?

A redução da competitividade das exportações poderia levar a uma diminuição do seu crescimento, destacando a importância de políticas econômicas que promovam a diversificação e a resiliência da economia capixaba.

Publicado em 07 de Novembro de 2024 às 12:43

Públicado em 

07 nov 2024 às 12:43
Sávio Bertochi Caçador

Colunista

Sávio Bertochi Caçador

O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump comparece ao Tribunal   Criminal em Nova York (EUA)
O ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump comparece ao Tribunal Criminal em Nova York (EUA) Crédito: SETH WENIG/AP
O ex-presidente Donald Trump (Partido Republicano), 78 anos, venceu as eleições contra a vice-presidente Kamala Harris (Partido Democrata), 60 anos, e se tornará o 47º presidente dos Estados Unidos. O novo mandato será o segundo de Trump à frente da Casa Branca. Ele comandou o Executivo do país de 2017 a 2021. Seu vice é J.D. Vance, senador pelo Estado de Ohio.
No comércio exterior, a promessa de Trump é aumentar tarifas entre 10% e 20% sobre praticamente todas as importações dos EUA, incluindo as que vêm de países aliados, e em pelo menos 60% sobre as da China. Em função disso, existe um receio de que essas medidas protecionistas provoquem espiral de tarifas e retaliações (o que pode resultar em redução no volume de comércio global, desvalorização cambial e mudança no fluxo de capital, com investimentos que migrariam com mais intensidade para o território americano), embora ainda não se saiba o que foi “barulho” de campanha e o que será administração de fato de Trump.
A volta de Trump à Casa Branca em 2025 é vista por economistas como negativa para o Brasil e deve contrariar os interesses brasileiros por uma economia norte-americana mais aberta e com menos medidas protecionistas. Isso porque tais medidas tendem a reduzir o crescimento da economia global e, consequentemente, enfraquecer a demanda por commodities (sobretudo agrícolas, aço, alumínio e biocombustíveis), que é onde reside a força do Brasil e do Espírito Santo no comércio exterior.
Essa maior dificuldade em vender para o Estados Unidos também pode fortalecer um movimento que ocorreu no primeiro mandato de Trump: o de produtos asiáticos inundando outros mercados de forma predatória. Desde 2022, o Brasil vem enfrentando dificuldade em retomar as suas exportações para América Latina e Central, que foram assumidas pela China.
O Espírito Santo, com sua forte presença nos setores de exportação, também sentiria os efeitos do protecionismo americano. A economia capixaba é fortemente dependente de suas exportações de minério de ferro, celulose, rochas ornamentais e café. A imposição de tarifas sobre esses produtos poderia reduzir a competitividade das exportações capixabas, afetando negativamente a atividade econômica no Estado. Não podemos esquecer de setores produtivos que orbitam em torno das grandes plantas exportadoras de commodities capixabas, como é o caso do metalmecânico, que podem ser indiretamente afetados.
Um eventual protecionismo de Trump nos EUA tem o potencial de impactar significativamente a economia global, brasileira e capixaba. Para o Espírito Santo, os setores de mineração, siderurgia, celulose, rochas ornamentais e café seriam os mais afetados. A redução da competitividade das exportações poderia levar a uma diminuição do seu crescimento, destacando a importância de políticas econômicas que promovam a diversificação e a resiliência da economia capixaba. Ao mesmo tempo, cabem aos empresários(as) e executivos(as) desses setores ficarem antenados com os sinais vindos de Washington (DC).

Sávio Bertochi Caçador

É economista, doutor em Economia pela Ufes, professor e consultor

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