Apesar de Bolsonaro ter perdido para uma frente ampla liderada por Lula em 2022, o bolsonarismo não morreu e continua bem vivo, ainda que não necessariamente com tal alcunha. Os resultados das eleições municipais do mês passado e a conquista de um novo mandato por Donald Trump nos Estados Unidos são animadores para a direita e acendem o sinal de alerta para a esquerda.
Prova de que o bolsonarismo continua na ativa começaram a se dar quando, após sua derrota em 2022, movimentos antidemocráticos e golpistas se instalaram em algumas rodovias para, de forma ilícita, confrontar o resultado das urnas e a vontade expressada pela maioria dos eleitores brasileiros. Os atentados de 8 de janeiro de 2023 demonstraram a fidelidade dos apoiadores a seu líder, ainda que a custa do cometimento de crimes variados.
As eleições municipais de 2024 deixaram claro um cenário favorável à direita e à extrema direita, já que partidos como o PSD, MDB, PP, União Brasil, PL e Republicanos comandarão a maioria das prefeituras pelo país. O cenário também reafirma a influência do Centrão, que flertando com Lula e Bolsonaro, conseguiu converter os recursos das emendas parlamentares em votos nos seus principais redutos políticos.
Lado outro, as urnas foram crueis com a esquerda, que enfrentou duras derrotas nas capitais e viu o número de prefeituras administradas por eles cair sensivelmente em todo o país. Inclusive em colégios eleitorais em que a esquerda tinha, tradicionalmente, maior capacidade de penetração, a direita mostrou-se mais competitiva.
A vitória de Donald Trump sob Kamala Harris reitera que o fato de o presidente atual ser mais progressista que o anterior não significa que o eleitorado prosseguirá na vertente à esquerda. A indecisão e a demora em indicar quem de fato enfrentaria Trump favoreceu o republicano, que teve mais tempo para engajamento na campanha. Haddad teria mais chances em 2018 caso o PT não houvesse insistido no nome de Lula até a última oportunidade, sem planejar bem o nome de eventual substituto que acabou impedido de melhor planejar sua campanha.
O mesmo raciocínio vale para o Espírito Santo. Enquanto a direita tem vários nomes como pretensos candidatos ao Palácio Anchieta, quem seria o nome mais à esquerda? Até o momento, sem grandes figurões, prevalecendo o protagonismo de Renato Casagrande, que não pode disputar um terceiro mandato consecutivo.
Por isso, volto a dizer, o bolsonarismo permanece vivo e a direita já demonstrou sua influência em alta, ainda que mais cedo ou mais tarde outro político seja escolhido como porta-voz da extrema-direita brasileira. Nesse contexto, se a esquerda não quiser repetir em 2026 o baixo desempenho que teve nas eleições municipais, deverá se preparar e se aproximar do eleitor comum, das massas.