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Crônica

Vamos falar de festivais de cinema?

Nem é preciso falar nos grandes festivais que acontecem no universo dos tapetes vermelhos, como Cannes, Veneza, Berlim. Basta lembrar daqueles que também acontecem em pequenas cidades

Publicado em 01 de Agosto de 2023 às 00:20

Públicado em 

01 ago 2023 às 00:20
Bernadette Lyra

Colunista

Bernadette Lyra

Público volta aos cinemas, mas salas não enchem; streaming é uma das razões
Sala de cinema Crédito: Freepik/rawpixel.com
Os festivais, em geral, são legais, no duplo sentido. Pautam-se por certas leis e regras e delas não podem (ou não devem) escapar e ao mesmo tempo são interessantes, agradáveis, divertidos etc. Há festivais de tudo, pois que de qualquer coisa alguém pode fazê-los.
Alguns tradicionais se mantêm em ação, ano após ano; outros esparsos aparecem e somem e depois aparecem e somem de novo. E há os organizadores de festivais, gente que acredita que dá para organizar bem o movimento, ou gente que pensa em se dar bem com o movimento (seja lá o que, no caso, a palavrinha “bem” queira significar).
Mas o importante é que festivais, sobretudo os culturais, aconteçam. Para “a felicidade geral da nação”, como disse em outro contexto D. Pedro I, aquele imperador de eras passadas. E que aconteçam com brilho e com brio. Afinal, nada mais convincente e envolvente que a alacridade e o amor-próprio que qualquer festival enuncia.
Toda essa minha parolagem inicial não passa de pretexto para falar sobre um tipo de festival específico: os festivais de cinema, que sempre foram e continuam a ser um modo mágico de nos sentarmos no escuro para ver um conjunto heterogêneo de histórias de vidas parecidas com as nossas ou diferentes delas, vindas dos mais variados lugares e produzidas por realizadores diversos.
Vocês sabem que durante os cruéis dias da pandemia, os festivais de cinema foram submetidos à tirania de formas tecnológicas de exibição à distância. Ficaram murchos, insossos, sem élan, quase perderam o fôlego. Agora, porém, parecem voltar com exuberância e potência total às telonas, a despeito da atual multiplicidade de telas.
Nem é preciso falar nos grandes festivais que acontecem no universo dos tapetes vermelhos, como Cannes, Veneza, Berlim. Basta lembrar daqueles que também acontecem em pequenas cidades. E oxalá aconteçam em muitas pequenas cidades do país e do mundo, pois assistir a festivais cinematográficos de proporções por vezes mais simples diante daqueles tidos como os mais espetaculosos é igualmente prazeroso e confortador.
Cito como exemplo a intensa participação e a alta voltagem de animação de artistas, de cineastas e do público que lotou as salas nos três dias do Sexto FECSTA, na bela cidade capixaba de Santa Teresa. Uma prova de que nada diminui a força do cinema, ela mesma que, em qualquer tempo ou lugar, continua a pôr em sintonia identificadora as qualidades e defeitos, virtudes e pecados, amores e dores que, apesar das circunstâncias e das diversidades, nós, seres humanos, temos em comum.

Bernadette Lyra

E escritora de ficcao e professora de cinema. Escreve as tercas-feiras sobre livros, filmes, atualidades variadas e fatos contemporaneos

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