Os festivais, em geral, são legais, no duplo sentido. Pautam-se por certas leis e regras e delas não podem (ou não devem) escapar e ao mesmo tempo são interessantes, agradáveis, divertidos etc. Há festivais de tudo, pois que de qualquer coisa alguém pode fazê-los.
Alguns tradicionais se mantêm em ação, ano após ano; outros esparsos aparecem e somem e depois aparecem e somem de novo. E há os organizadores de festivais, gente que acredita que dá para organizar bem o movimento, ou gente que pensa em se dar bem com o movimento (seja lá o que, no caso, a palavrinha “bem” queira significar).
Mas o importante é que festivais, sobretudo os culturais, aconteçam. Para “a felicidade geral da nação”, como disse em outro contexto D. Pedro I, aquele imperador de eras passadas. E que aconteçam com brilho e com brio. Afinal, nada mais convincente e envolvente que a alacridade e o amor-próprio que qualquer festival enuncia.
Toda essa minha parolagem inicial não passa de pretexto para falar sobre um tipo de festival específico: os festivais de cinema, que sempre foram e continuam a ser um modo mágico de nos sentarmos no escuro para ver um conjunto heterogêneo de histórias de vidas parecidas com as nossas ou diferentes delas, vindas dos mais variados lugares e produzidas por realizadores diversos.
Vocês sabem que durante os cruéis dias da pandemia, os festivais de cinema foram submetidos à tirania de formas tecnológicas de exibição à distância. Ficaram murchos, insossos, sem élan, quase perderam o fôlego. Agora, porém, parecem voltar com exuberância e potência total às telonas, a despeito da atual multiplicidade de telas.
Nem é preciso falar nos grandes festivais que acontecem no universo dos tapetes vermelhos, como Cannes, Veneza, Berlim. Basta lembrar daqueles que também acontecem em pequenas cidades. E oxalá aconteçam em muitas pequenas cidades do país e do mundo, pois assistir a festivais cinematográficos de proporções por vezes mais simples diante daqueles tidos como os mais espetaculosos é igualmente prazeroso e confortador.
Cito como exemplo a intensa participação e a alta voltagem de animação de artistas, de cineastas e do público que lotou as salas nos três dias do Sexto FECSTA, na bela cidade capixaba de Santa Teresa. Uma prova de que nada diminui a força do cinema, ela mesma que, em qualquer tempo ou lugar, continua a pôr em sintonia identificadora as qualidades e defeitos, virtudes e pecados, amores e dores que, apesar das circunstâncias e das diversidades, nós, seres humanos, temos em comum.