As restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus atingiram em cheio o setor de turismo. Desde março de 2020, planos de viagens precisaram ser cancelados ou no mínimo reavaliados e adaptados. E nesse contexto o segmento hoteleiro foi um dos grandes impactados.
Em virtude da necessidade do distanciamento social, diversas atividades correlacionadas a esse nicho econômico - como alimentação, recreação, transporte, logística e locação - sofreram restrições de funcionamento, inibindo naturalmente o fluxo de pessoas em busca de lazer e até de negócios.
Mas, assim como aconteceu em vários outros setores, na hotelaria brasileira e capixaba surgiram alternativas que têm contribuído para a sobrevivência dos negócios, como é o caso do chamado turismo de escapada ou staycation.
A modalidade, que passou a ganhar espaço durante a crise sanitária, é uma espécie de férias, escapada dentro da própria cidade. Ou seja, para evitar deslocamentos e pontes aéreas, há quem esteja apostando em "turistar" no mesmo local onde vive, indo para hotéis ou casas de aluguel para sair da rotina e buscar novos ares. É uma forma de relaxar e manter o isolamento social com segurança.
Esse quadro da pandemia fez com que as pessoas repensassem as próprias férias, contexto que foi captado por uma pesquisa da Booking, um dos principais sites de hospedagem do mundo. No levantamento, 55% das pessoas informaram que pretendem conhecer um novo destino na região em que moram.
Esse comportamento também foi percebido no Estado. Em Vitória, o Hotel Senac Ilha Boi, registrou em 2020 um número superior de estadias requisitadas por residentes em Vitória (14,04% das hospedagens), em relação a visitantes domiciliados nas cidades de São Paulo (13,7%), Rio de Janeiro (8%) e Belo Horizonte (4,12%) - que, por questões geográficas, sempre estiveram entre os hóspedes mais assíduos do hotel. No caso de São Paulo, o fluxo local de capixabas se igualou ao maior polo emissor de turistas do país.
Se comparado a 2019, as três capitais da região Sudeste registraram uma redução de 77%. No entanto, na soma geral de 2020, o número de visitantes de fora do Estado foi superior. Os hóspedes naturais das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte permaneceram no topo da lista entre os demais municípios brasileiros.
Para o gerente de Operações do Hotel Senac Ilha do Boi, Edinilson Mardegan D'Andréa, o isolamento social despertou o olhar das pessoas para as belezas que estão a sua volta, além de criar uma demanda reprimida por viagens e novas experiências gastronômicas.
"Essa junção de fatores contribui para uma expansão do interesse dos capixabas pelos espaços de lazer do Estado e por viagens pelo Brasil. Outro elemento importante é a alta do dólar, que no pós-pandemia também influenciará o consumo de pacotes de viagens internas, incluindo a capital capixaba e outros polos turísticos do Espírito Santo"