Mesmo com todas as incertezas do ano de 2020, que ficou marcado pela pandemia do novo coronavírus, a Sipolatti expandiu sua atuação e abriu novas lojas. Foi a primeira vez que a varejista de móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos investiu fora do Espírito Santo. Foram inauguradas quatro unidades na Bahia, nas cidades de Teixeira de Freitas, Eunápolis, Porto Seguro e Itamaraju.
Para 2021, o plano de expansão continua. A empresa capixaba prevê oito novas lojas para municípios da Bahia e do Rio de Janeiro, conforme contou à coluna o diretor-executivo, Cláudio Sipolatti. O crescimento dentro do Espírito Santo também está no radar da companhia, mas o empresário diz que ainda é cedo para falar de números e regiões que podem receber mais unidades.
Ele adiantou, porém, um dos investimentos programados para o Estado. Em fevereiro está previsto o início da operação do novo centro de distribuição (CD) da Sipolatti. O CD será em Viana, com 20 mil metros quadrados, e terá o dobro da capacidade do atual, que fica em Cariacica e será desativado assim que houver a transferência das operações.
Com os novos negócios, a rede - há 60 anos no mercado - espera ampliar o seu quadro de pessoal dos atuais 1.400 profissionais para 2 mil.
"Nos últimos anos, no nosso segmento de varejo, muitas lojas fecharam e nós percebemos que existe espaço para ocuparmos esses mercados e estarmos em novas regiões"
Questionado se a pandemia atrapalhou parte desses planos, o empresário afirmou que não e frisou que a empresa chegou a acelerar projetos que seriam implantados somente neste ano, como na área digital.
"A pandemia acuou todo mundo, mas a Sipolatti tomou o remédio de ser ousada e de avançar para enfrentar esse momento. Deu certo. Em março, chegamos a pensar que fecharíamos 2020 deficitários, mas, com as nossas ações, conseguimos crescer e terminamos 2020 com uma evolução de 5% no faturamento em relação ao ano de 2019."
Para Cláudio Sipolatti, diversas ações tomadas pelo governo federal foram importantes para a empresa alcançar o bom resultado. Ele cita que medidas como auxílio emergencial, suspensão de contratos, possibilidade de redução de jornada e adiamento de algumas exigências tributárias permitiram que as empresas fossem mais ágeis na tomada de decisões. "Essas ações salvaram muitos negócios e muitos empregos."
Outro foco para 2021 é a ampliação do mercado consumidor por meio do e-commerce. Segundo Cláudio, em 2020, houve um avanço de mais de 200% nesse segmento. Diante da demanda crescente, a Sipolatti prevê expandir as vendas para todo o Sudeste. Hoje, as entregas das compras virtuais estão limitadas ao Espírito Santo.
Para ele, com qualidade nos processos é possível concorrer e se destacar mesmo em meio a um mercado que é disputado por gigantes como Magazine Luiza e Via Varejo, donas das marcas Pontofrio e Casas Bahia.
"A primeira coisa é qualidade nos processos. Nos desafiamos a entender melhor a região que estamos, a saber mais sobre os nossos clientes internos e externos. Então, juntando processo com qualidade, conhecimento mais preciso dos nossos clientes e criando uma gestão financeira responsável, nós temos condições de nos destacarmos e continuarmos mesmo em meio aos desafios", afirmou.
Confira abaixo o bate-papo do Na Lata com o empresário Cláudio Sipolatti.
PERFIL
- Nome: Cláudio Sipolatti
- Empresa: Lojas Sipolatti
- No mercado: Há 60 anos
- Cargo na empresa: Diretor-executivo
- Negócio: Varejo de móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos
- Atuação: 43 lojas, sendo 39 no Espírito Santo e 4 na Bahia
- Funcionários: 1.400 diretos
JOGO RÁPIDO COM QUEM FAZ A ECONOMIA GIRAR
Economia:
Para mim, economia é a ciência que nós precisamos entender e praticar para que possamos obter das outras ciências o melhor resultado. Se brincarmos com a economia, não vamos ter saúde, educação, transporte, não vamos ter nada.
Pandemia do coronavírus:
Um ano diferente de tudo que já vivi na minha vida e que me proporcionou muito aprendizado. Tive uma evolução como ser humano que nunca pensei que conseguiria atingir. Cresci muito em respeito.
Pedra no sapato:
Ainda é a parte governamental do nosso país. A burocracia, que é pesada e inibe o desenvolvimento de novos empreendedores.
Tenho vontade de fechar as portas quando:
Me impedem de crescer. Não pela minha competência, mas pelas amarras e exigências desproporcionais que muitas vezes são feitas.
Solto fogos quando:
Gero emprego e crio novas oportunidades, contribuindo para aumentar a renda das famílias. Também me deixa muito feliz quando vejo um estagiário virar diretor da empresa, e na Sipolatti temos casos assim.
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria...:
A parte tributária. Ela deveria ser igual no Brasil todo e muito simplificada. O imposto deveria aparecer para o consumidor fora do produto, como acontece nos Estados Unidos.
Minha empresa precisa evoluir:
Sempre! A empresa é um conjunto que tem que estar evoluindo em sincronia e a todo momento. Mas se tiver que citar um único ponto, destaco a importância de evoluir no desenvolvimento de pessoas.
Se começasse um novo negócio seria...:
Alguma empresa correlata ao meu negócio. Trabalharia uma indústria ou na área de transporte, mas com relação com o que faço hoje.
Futuro:
Muito trabalho, muita inovação. O que nos trouxe até hoje agradecemos, mas o que vamos ter que fazer é muito mais desafiador.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro:
Eu sou de uma linha que admiro muito a empresa. No Espírito Santo, tenho grande admiração pelo Grupo Águia Branca. A companhia é diversificada nos negócios. É uma empresa próxima a nós aqui no Estado, mas está ao mesmo tempo na lista das 200 maiores da América Latina. Ela tem valores sólidos. Admiro muito a empresa e as pessoas que estão lá dentro.