Nos últimos três anos, a capixaba Origens, do ramo de vestuário e confecções, vinha em um crescimento acelerado. A cada ano dobrava o seu faturamento. Para 2020, as perspectivas também eram promissoras, crescer 50%. Mas aí veio a pandemia do novo coronavírus e fez com que os sócios dessem um passo para trás. Mesmo assim, a marca acredita que vai incrementar suas vendas em pelo menos 10%.
Cheio de planos, o sócio-fundador e diretor estratégico da Origens, Rafael Mello de Miranda, conversou com a coluna e contou que, passado o primeiro baque da pandemia, quando o comércio precisou ficar fechado, agora o momento está sendo de voltar as atenções para o ambiente on-line e também trabalhar em cima de novos projetos.
Parte deles, a empresa já vinha construindo desde o final do ano passado, quando participou de uma mentoria da consultoria Endeavor e teve acesso a grandes executivos e projetos da área do varejo. Mas está sendo agora, em meio à pandemia, que alguns deles estão se consolidando.
"O momento nos permitiu fazer uma reflexão sobre o modelo de negócio. Surgiram quatro projetos nesse período, coisas que já tínhamos mapeado, como projetos no ambiente on-line, inovações no e-commerce e parcerias", frisou Rafael. Uma dessas parcerias foi com a ex-BBB, Gizelly Bicalho. A coleção que foi desenvolvida para o projeto com a "sister" esgotou rapidamente. Em uma hora e meia, a Origens vendeu cerca de 1.000 peças, situação inédita para a empresa, segundo Rafael.
Além da expansão no mercado virtual - que hoje representa 10% das vendas, mas tem a meta de chegar a 40% em três anos -, a companhia projeta investir em unidades físicas fora do Estado. Hoje, todas as cinco lojas da marca estão na Grande Vitória. Entre os locais de interesse para ganhar o país estão os Estados de Minas Gerais, Bahia e Santa Catarina.
"A gente pretende abrir novas unidades em outros Estados. A ideia é levar essa experiência de imersão na cultura de cada região, se relacionar com o ecossistema local para criar as coleções"
Desde que surgiu no mercado, há 10 anos, a Origens trabalha com um conceito de valorizar a identidade regional, trazendo para as suas coleções elementos da cultura, da música, da linguagem e outros pontos que despertem essa conexão entre as pessoas e o Estado.
MARCA PLANEJA STANDS EM AEROPORTOS DO BRASIL
Outra forma de crescimento será por meio de investimentos em stands da marca em aeroportos do Brasil. Mas antes de tirar a proposta do papel, ela será trabalhada junto a alunos da Fucape. Rafael Miranda explicou que foi montado um protótipo e ele vai funcionar no Hub de Inovação que a instituição de ensino vai inaugurar ainda em 2020. O espaço vai reunir o conhecimento acadêmico às práticas de mercado.
"Queremos junto com os alunos validar esse projeto e, quando ele estiver pronto, queremos levar essa estrutura para quatro ou cinco aeroportos do país, incluindo o de Vitória."
Para os planos de crescimento da marca - que hoje produz cerca de 20 mil peças por ano - se viabilizarem, a Origens vem conversando com alguns fundos de investimentos que demonstraram interesse em aportar recursos no negócio. Para o sócio-fundador, nos próximos dois anos há uma expectativa de que os investimentos variem entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões.
Confira abaixo o bate-papo do Na Lata.
PERFIL
- Nome: Rafael Mello de Miranda
- Empresa: Origens
- Cargo na empresa: Sócio-fundador e diretor estratégico
- No mercado: Há 10 anos
- Negócio: Vestuário e confecção
- Atuação: Loja on-line (Brasil) e rede de lojas físicas no ES
- Funcionários: 50 diretos
JOGO RÁPIDO COM QUE FAZ A ECONOMIA GIRAR
Economia:
Já vem há alguns anos cambaleando e crescendo pouco. Acredito que o micro e o pequeno empreendedor serão os grandes responsáveis para a retomada do emprego e da economia.
Pandemia do coronavírus:
Estamos reaprendendo a nos relacionar com o próximo e a rever rotinas. É um momento que deixa aprendizados e expõe muitas oportunidades.
Pedra no sapato:
A polarização que estamos vivendo nos últimos anos e uma política baseada no ego, em que só quem tem a perder são as pessoas de bem.
Tenho vontade de fechar as portas quando:
Sou uma pessoa extremamente positiva e otimista, portanto, fechar as portas é uma ideia que me recuso a pensar.
Solto fogos quando:
Consigo colocar de pé uma situação que eu já enxergava acontecendo meses antes.
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria:
A capacidade de o setor esquecer um pouco o lado da concorrência e se ajudar de forma mútua para melhorar o ambiente de negócios como um todo.
Minha empresa precisa evoluir:
Cada vez mais no ambiente on-line, pois é uma realidade sem volta.
Se começasse um novo negócio seria:
Uma produtora de vídeos. Sempre fui muito ligado à produção desse tipo de material e hoje mais do que nunca é o tipo de mídia que mais cresce em consumo.
Futuro:
Acredito que está mais próximo do que imaginávamos. Realidade aumentada, nanotecnologia, reconhecimento fácil, pagamentos e carteiras digitais, entre outros. Na empresa, o futuro é crescer e estar presente fisicamente em outros Estados.
Uma pessoa que admiro no mundo dos negócios:
Busco me inspirar em empreendedores locais e tenho uma infinidade de empreendedores que me inspiram como: Rogério Salume (Wine), Alexandre Soares (Lift Bank), Rodrigo Miranda (Zaitt e Shipp), Marcus Buaiz (Spark), Aridelmo Teixeira (Fucape). Mas se for para citar apenas uma pessoa que admiro, escolho o Ayrton Senna. Ele sempre foi uma inspiração pelo seu foco, determinação, resiliência e alguém que nunca esqueceu as suas origens.