A pandemia do coronavírus tem sido um teste de fogo para diversas empresas, que viram a demanda por produtos e serviços cair e o faturamento afundar de março para cá. Há 30 anos no mercado, a Farmácia Alquimia também tem sentido o baque que a doença trouxe para o dia a dia da sociedade. Mas mesmo com uma queda de receita de 30%, a sócia Raigna Vasconcelos afirma que a empresa não vai demitir seus funcionários.
Ela conta que diretamente emprega 130 profissionais e que, desde o início da pandemia, ela e o seu sócio, o fundador do negócio Júlio Campagnaro, decidiram que sustentariam ao máximo a redução de custos sem oferecer prejuízos para o quadro de pessoal. "Vamos aguentar até que a corda se rompa. Não vamos demitir”.
Segundo Raigna, a empresa também não reduziu salários. A solução para amenizar a baixa demanda foi antecipar férias e compensar os bancos de horas com folgas. Neste período, também houve grande adaptação em relação aos canais de atendimento com os clientes, que passaram a fazer as compras de forma virtual. A empresária conta que investiu em tecnologias para facilitar a comunicação e as vendas pela internet.
"A gente já estava vivendo a revolução 4.0, mas muitas pessoas ainda demonstravam certa resistência, seja porque tinham medo de fraude, ou porque não tinham tanta intimidade com a internet. Só que agora elas foram forçadas a comprar pelo digital, e muitas delas tiveram uma surpresa boa. Viram que foi fácil, com comodidade e que foram bem atendidas. Então, acredito que esse é um caminho sem volta. Por isso, estamos buscando diversas formas de aprimorar esse atendimento e treinar as equipes."
A Alquimia, que é do ramo farmacêutico magistral (de manipulação) e tem 14 unidades distribuídas no Espírito Santo, na Bahia e no Rio de Janeiro, também precisou mudar o seu planejamento em relação à expansão. Raigna cita que estava nos planos da empresa buscar outros mercados no Estado, mas que a pandemia acabou interrompendo esse desejo. De acordo com ela, municípios como São Mateus, Colatina e Aracruz são avaliados como potenciais para receber investimentos.
"Esse não é o momento para isso. Os planos foram engavetados. O momento agora é de manter a operação de pé, não acumular dívidas e estar saneado para a hora que o mercado voltar"
E no momento em que as atividades voltarem a se recuperar, Raigna pontua que o setor deve seguir com a trajetória de crescimento do pré-pandemia. Segundo ela, o ramo de manipulação tem grande potencial, já que os clientes têm buscado cada vez mais produtos personalizados.
"As pessoas estão entendendo que elas têm necessidades diferentes, então, buscam um tratamento mais personalizado, algo que a indústria, que produz por lotes, muitas vezes não consegue suprir", frisa ao citar que entre os itens mais demandados na Alquimia estão: suplementos, antioxidantes, medicamentos para dormir, fórmulas para a ansiedade e para emagrecimento, além de produtos para cuidados com a face, como cremes.
PERFIL
- Nome: Raigna Vasconcelos
- Empresa: Farmácia Alquimia
- Cargo: Sócia
- No mercado: Há 30 anos
- Negócio: Farmácia magistral (de manipulação)
- Atuação: Espírito Santo, Rio de Janeiro e Bahia
- Funcionários: 130 diretos
JOGO RÁPIDO COM QUEM FAZ A ECONOMIA GIRAR
Economia:
Nebulosa.
Pandemia do coronavírus:
Inevitável. Temos que encarar com flexibilidade e trabalhar ao máximo nossa capacidade de adaptação e empatia.
Pedra no sapato:
Tira o sapato e remove a pedra.
Tenho vontade de fechar as portas quando:
Nunca!
Solto fogos quando:
Toda vez que um cliente relata sua satisfação, eficácia do tratamento. Todos os pequenos registros são motivo de comemoração!
Se pudesse mudar algo no meu setor, mudaria:
Leilão de preços e descontos. Prática que prejudica muito o setor.
Minha empresa precisa evoluir em:
Quase tudo. O cliente muda e a empresa tem que mudar também. Adaptações são sempre necessárias. Evolução sempre!
Se começasse um novo negócio seria:
Um Salão de Beleza, mas é bem se se se... Não tenho vontade de mudar de ramo de atuação.
Futuro:
Sem pretensão de dominar o futuro, de entender ou de antever. O presente é melhor.
Uma pessoa no mundo dos negócios que admiro:
Silvio Santos, pela capacidade que teve de construir uma grande empresa começando do nada, e por ter revolucionado a forma de fazer TV.