Pouco mais de 10 dias depois de ter anunciado que pretende vender parte das ações da companhia de gás ES Gás, conforme noticiado pela coluna, o governador do Estado Renato Casagrande (PSB) já foi procurado por algumas empresas do setor interessadas no negócio.
Por enquanto, Casagrande não deu detalhes de quantas ou quais seriam essas companhias, mas comemorou o fato de o anúncio da privatização estar repercutindo bem no mercado.
"Quando eu tomei a decisão foi para criar um ambiente de interesse de grupos que atuam no mercado e na atividade de gás. E isso já está funcionando. Tem empresas interessadas em estudar. Já procuraram o governo interessadas"
INCERTEZAS
Apesar da boa recepção do mercado e do apetite das empresas, o novo cenário econômico que se apresenta para o país, fruto dos reflexos da pandemia de coronavírus, pode travar ou retardar a decisão por esses investimentos. A queda na demanda por serviços e produtos nas empresas, a elevação do endividamento, os riscos de aumento do desemprego e a instabilidade que deve se perpetuar ao longo deste ano serão limitadores para o fechamento dos negócios.
Ainda que as decisões nas áreas de infraestrutura e de petróleo e gás considerem sempre o médio e o longo prazo, é inevitável que antes de bater o martelo as companhias interessadas em adquirir ativos façam uma análise cuidadosa do contexto nacional e global. Assim, considerando que a falta de confiança é um dos principais obstáculos para investimentos, pode ser que esse seja um negócio que fique para depois. Uma pena.
DINHEIRO DA VENDA VAI PARA INFRAESTRUTURA
O valor esperado de venda ainda não foi calculado. Um estudo com a modelagem vai ser feito pelo BNDES. A coluna perguntou ao governador Renato Casagrande se o dinheiro que vai ser levantado com a venda da ES Gás pode vir a ser usado em um momento de emergência fiscal, mas ele afirmou que este não é o objetivo do governo.
“Espero que não. Eu não sei qual o valor que conseguiremos arrecadar desta negociação. Vai depender muito da economia brasileira e do interesse das empresas. Mas que o que for arrecadado tem que ser (direcionada) para investimento em infraestrutura. Não pode ser para custeio da máquina porque a gente tem que aumentar a competitividade do Estado”, declarou.