O governo do Estado decidiu que vai vender o controle da ES Gás, companhia estatal de gás que foi criada em dezembro de 2018 juntamente com a BR Distribuidora. O governador Renato Casagrande (PSB) tornou a decisão pública nesta quinta-feira (5).
Ele conversou com a coluna e disse que pretende enviar à Assembleia Legislativa o pedido de autorização para ofertar ações da empresa ao mercado.
A ideia é que o governo deixe de gerir a companhia, mas permaneça com alguma participação no negócio. “O Estado continua com o ativo, mas a ES Gás passa a ter o controle da iniciativa privada. Assim, a empresa poderá ter uma condição mais adequada a um mundo de tanta competitividade. E tem ainda a vantagem que quem entrar terá um contrato totalmente moderno em termos de regulação, em sintonia com as novas normas e regras que vêm sendo trabalhadas pelo governo federal para o novo mercado de gás.”
A definição sobre a oferta da empresa começará a ser estudada pelo BNDES. Representantes do governo do Espírito Santo e da BR Distribuidora já tiveram uma primeira conversa com o banco, que deverá iniciar os estudos para definir a melhor modelagem para o negócio.
Casagrande acredita que as análises aconteçam ao longo deste ano e a empresa possa ser vendida em 2021. Antes disso, porém, é preciso que algumas etapas sejam cumpridas, como a operação efetiva da ES Gás.
O governador explica que primeiro a empresa deve ser instalada, o que deve acontecer até o próximo mês. Depois disso, haverá o encaminhamento à Assembleia Legislativa do projeto solicitando a venda de parte das ações do governo.
"Enquanto isso, ajustamos com a BR que ela ficará responsável pela gestão da ES Gás até que a oferta ao mercado aconteça. A BR será contratada pela ES Gás para gerir, assim não precisaremos fazer concurso público"
A decisão de vender parte da companhia de gás foi tomada pelo governador há cerca de um mês. Questionado pela coluna sobre o que teria pesado nessa escolha, Casagrande justificou a capacidade de a iniciativa privada ter mais condições de ser competitiva.
“O setor privado tem muito mais expertise no mercado de gás do que o setor público. Quanto mais capacidade você tem para fazer negociações e acordos empresariais eficientes e ágeis, mais você torna o negócio competitivo. A administração pública tem uma série de barreiras que impedem a tomada de decisões rápidas. Como encaramos o gás como um grande instrumento de desenvolvimento para o Espírito Santo, consideramos que para isso precisamos ter uma empresa mais eficiente. E, ao vender, também poderemos trazer parceiros com atuação nacional e até internacional, o que vai ajudar no dinamismo do Espírito Santo.”
O governador pondera que mesmo com a venda, o Estado vai continuar com ações. Dessa forma, vai defender os interesses da sociedade e também poderá ter parte dos resultados da empresa, recebendo dividendo.