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Sextas crônicas

Sem poesia não tem sonho grande

Elegi uma prioridade: conhecer pessoalmente pessoas de quem sou fã – vale esclarecer que fã é muito diferente de fanático. É entregar admiração ao outro em forma de brilho no olhar

Publicado em 27 de Novembro de 2024 às 19:34

Públicado em 

27 nov 2024 às 19:34
Aurê Aguiar

Colunista

Aurê Aguiar

Há tempos, prioridade deixou de ser singular para transformar-se em lista. Listas intermináveis, porque o desejo não tem fim. Também fiz listas para 2025. Mas elegi uma prioridade: conhecer pessoalmente pessoas de quem sou fã – vale esclarecer que fã é muito diferente de fanático, aquele que viola as normas sociais. Ser fã é entregar admiração ao outro em forma de brilho no olhar.
Conversa vai, conversa vem com uma amiga de longa data, contei sobre essa minha prioridade e esclareci que coloquei no campo da urgência alguns artistas que considero meus professores de vida; entre eles está Adélia Prado e nosso, finalmente, doutor Milton Nascimento.
Milton Nascimento em seu show de despedida
Cantor Milton Nascimento Crédito: Reprodução/GloboPlay
Quis o universo que eu falasse justamente com essa pessoa querida sobre a vontade que, no momento, superou outras e ganhou cinco estrelas como prioridade. Ela – minha amiga – riu e falou: Adélia Prado é amiga da minha sogra e nós temos uma casa em Divinópolis, posso te ajudar neste encontro? Podemos chamar de dharma, de serendipitidade, sorte, luz. Verbalizei e as palavras construíram a possibilidade.
Adélia Prado, como sabemos, não trabalha em uma rádio mineira e é, hoje, a maior poeta viva do Brasil. Filósofa, professora, contista e romancista premiada internacionalmente. Chega a dar uma dor no peito ter que explicar quem é Adélia Prado. Principalmente, aos conterrâneos de Drummond. Quem vive sem poesia não aprende a sonhar bonito.
Diferente de outras listas, que me causam um cansaço antecipado e alguma ansiedade, a lista de Ano Novo, que privilegiou a arte, me trouxe uma mistura de bons sentimentos. Sou grata por viver na mesma época que Chico, Djavan, Caetano, Bethânia, Gil. Quero encontrá-los nas coxias, nas praias, nos teatros, nos restaurantes. Preciso conversar com Silva, Gabriel O Pensador, Arnaldo Antunes, Marisa Monte, Pitty e Emicida. Como acontecerá? Ainda não sei, mas o universo dará seu jeito.
Foi assim com grandes escritores que eu queria conhecer melhor. É assim sempre. A boa intenção é o melhor dos planos. Bondade amorosa é a única estratégia ganha-ganha. A sinceridade e a humildade têm lugar reservado na prioridade divina. Pode até não parecer, porque vivemos em tempos em que a malícia está glamourizada, mas o futuro aponta para dias melhores para corações puros. O amor e a arte fazem parte de uma revolução em gestação.
Estamos em plena travessia. Ainda não há terra à vista, mas dentro dos corações já existe esta realidade. A seta do futuro foi lançada. E, aqui, estou parafraseando Gilberto Gil, que, aliás, eu não vejo a hora de encontrar.

Aurê Aguiar

É jornalista e escritora, escreve quinzenalmente a coluna Sextas Crônicas

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