Minuta porque trata-se de texto preliminar para apreciação de quem lê e comunga da ideia de que a humanidade merece um presente e um futuro melhores do que o que temos agora. Intenções porque a vontade é sensibilizar pessoas para o fato de que o que vai mal tem raízes históricas, mas com possibilidade de mudar. Mera possibilidade, mas é preferível agarrar-se a ela por menor que sejam as chances de dar certo do que continuar mergulhado na distopia na qual o mundo está imerso.
Dito isso, vale repetir o desejo que a muitos inspira quando da mudança no calendário gregoriano: paz. Se o desejo é genuíno parece oportuno tomar contato com o que leva a guerras cada vez mais atrozes. É falsa a ideia de que elas são motivadas por razões religiosas ou guardam vínculos com propostas políticas por maior liberdade.
As guerras nas quais o mundo está imerso respondem exclusivamente a interesses dos principais complexos industriais-militares construídos desde o fim da II Guerra Mundial há quase 80 anos. Por um lado, o estadunidense e seu principal satélite Israel, que ocupam a primeira e a terceira posições dos países que mais produzem e exportam armas. Por outro, o russo, medalha de prata nessa trágica competição, e seus associados.
São complexos industriais-militares porque, a cada nova atrocidade que cometem, movimentam diretamente grande massa de recursos com a produção e o uso de equipamentos concebidos e construídos para destruir pessoas, etnias, culturas e recursos naturais. Indiretamente dão dinamismo a cadeias produtivas nas áreas de commodities intensivas em recursos naturais não renováveis (com destaque para petróleo e outras minerações) e de medicamentos e equipamentos hospitalares, dentre outros.
O resultado é o sofrimento de bilhões de pessoas mundo afora, principalmente crianças e idosos. Em contrapartida aos perdedores, existem os ganhadores de sempre: os acumuladores e gestores do capital improdutivo.
Capital improdutivo que ganha com especulações nos preços de todos os bens e serviços intermediados por mercados mundo afora. Vão de alimentos, a petróleo, a serviços de saúde e educação, passando por tudo onde possam aumentar seus lucros. Na maioria das vezes garantidos por governos prontos para a prática do ‘capitalismo do lucros e socialismo dos prejuízos’.
Essa lógica tem o efeito perverso de faltar recursos para o bem-estar da maioria da população mundial. De dificultar o acesso ao básico em saúde, educação, segurança, habitação, saneamento, transporte. De deixar à mercê dos interesses do capital improdutivo a estrutura básica de governos voltada para os cuidados necessários com a natureza.
Diante da abundância de recursos de todos colocados a serviço de poucos vale desejar que a partir de 2024 tantos quanto possível se sensibilizem para um fato simples. Bunkers por aqui e busca de outros espaços acolá podem ser a solução de sobrevivência para algumas centenas de pessoas.
Para os demais mortais que formam os mais de 99,9% da população mundial, você inclusive, caro leitor, vale lembrar que estamos todos no mesmo avião. Alguns poucos na primeira classe, alguns mais na executiva e a maioria na econômica. E quando uma aeronave cai a chance de sobrevivência é mínima e tem nada a ver com o preço pago pela passagem.
Vale acreditar na possibilidade de manter a nave Mãe Terra e todos seus seres viventes em curso. Mais do que acreditar, evitar zonas de conforto a que alguns temos acesso.