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Política

O novo rumo das eleições municipais e a sucessão estadual em 2026

Agora, após o segundo turno na Serra, as forças políticas se voltarão para a acumulação de forças e alianças para a sucessão do governador Renato Casagrande em 2026

Publicado em 12 de Outubro de 2024 às 01:00

Públicado em 

12 out 2024 às 01:00
Antônio Carlos de Medeiros

Colunista

Antônio Carlos de Medeiros Antônio Carlos de Medeiros
A mídia e o mundo político passaram a semana analisando os resultados do primeiro turno das eleições municipais. No Espírito Santo, o barômetro político ainda precisa incorporar o resultado do segundo turno na Serra, uma disputa entre o PDT e o Republicanos.
Entretanto, já é possível reafirmar que houve um declínio do peso da polarização política como razão predominante de voto. Declínio não significa o fim. Mas o cansaço da população com a guerra ideológica é evidente. É um fato.
Ao mesmo tempo, as evidências mostram a movimentação de uma nova realidade política no Estado, no seio do processo de transição em curso. Assim como no Brasil, aqui o centro político está crescendo, com mais popularidade.
É o que tenho chamado aqui neste espaço de “caminho do meio”. Esse caminho do centro alimenta e é alimentado pelo prenúncio de uma nova síntese política aqui e no Brasil. Impulsos de uma cosmovisão liberal em ascensão.
Mesmo ainda dependente do resultado da Serra para concluir a sua reconfiguração, o barômetro político já mostra um perfil de centro, pelo critério de densidade eleitoral (votos válidos) nestas eleições municipais de 2024.
Peço a paciência do leitor para os detalhes do ranking eleitoral partidário:
Do centro/centro-direita, o Podemos é o primeiro em número de votos válidos com 11 prefeituras. O MDB é o segundo em votos válidos com 6 prefeituras. O Republicanos é o terceiro em votos válidos com 8 prefeituras. O PP é o quarto em votos válidos com 12 prefeituras. O PSD é o sétimo em votos válidos com 3 prefeituras.
Neste campo, se ganhar a prefeitura da Serra, o Republicanos pode superar o Podemos como campeão de votos válidos.
Do centro/centro-esquerda, o PSB é o quinto em votos válidos, mas primeiro em número de prefeituras com 22. O PSDB é o oitavo em votos válidos com 4 prefeituras. O PDT é o nono em votos válidos com 3 prefeituras.
Neste campo, se ganhar a prefeitura da Serra, o PDT pode passar para o quarto em votos válidos com 4 prefeituras.
Da direita/extrema direita, o PL é o sexto em votos válidos com 6 prefeituras. Na esquerda, o PT e o Psol não elegeram prefeitos.
A resultante é uma mediana de centro no espectro político. Esse é o barômetro político, mesmo antes do resultado final da Serra. Lá, tanto o PDT quanto o Republicanos têm um viés de centro.
Agora, após o segundo turno na Serra, as forças políticas se voltarão para a acumulação de forças e alianças para a sucessão do governador Renato Casagrande em 2026. A novidade, que vem da Serra, é que Sérgio Vidigal (PDT) também deve entrar no páreo da sucessão.
Palácio Anchieta, Vitória
Palácio Anchieta, Vitória, alvo da disputa em 2026 Crédito: Ricardo Medeiros
O próximo passo relevante na agenda política estadual é a eleição da nova mesa da Assembleia Legislativa do ES para o biênio 2025/2026.
O favorito da Casa é o atual presidente, deputado Marcelo Santos (União Brasil), que deverá se candidatar à reeleição. O União Brasil só elegeu o prefeito de Jaguaré. Mas Marcelo tem maioria no plenário. Hábil articulador e político matreiro e astuto, ele sabe que talvez venha a precisar renovar sua aliança com o governador Renato Casagrande.
A sucessão estadual está em aberto. Vem daí a necessidade de acumulação de forças e alianças. Não há favoritos. Mas há o que o mercado está chamando de “fator Paulo Hartung”.
Por isso 2025 vai continuar sendo um ano político até as águas de março de 2026. Transição política intricada.

Antônio Carlos de Medeiros

Antônio Carlos de Medeiros Antônio Carlos de Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços nessas áreas

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