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Política

As novas lideranças em ascensão e o pêndulo político a caminho da direita

Olhando para 2026, com a ressalva de que é preciso aguardar o barômetro de 2024, o fato é que há um vácuo político a ser preenchido na “estrada do centro político”

Públicado em 

18 mai 2024 às 01:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

A julgar pelas pesquisas recentes do Ipec, do Ipespe Analítica e do Instituto Locomotiva, o pêndulo político continua a caminho da direita. As eleições municipais deste ano serão uma espécie de barômetro. Nas eleições municipais de 2020, a direita avançou mais: aumentou a votação para vereadores para 59,2% e de prefeitos para 54,3%.
O Ipec mostrou que no Brasil a direita tem 23 pontos a mais do que a esquerda, que diminuiu de tamanho: 41% dos brasileiros se dizem de direita e 18% se dizem de esquerda. Na disputa pelo centro político, a direita tem levado a melhor. O centro político diminuiu de 34% para 28%.
Entretanto, o centro político ainda representa 1/3 do eleitorado. Se considerar os 9% de eleitores que responderam “não sabe” e 4% que “não responderam”, tem-se aí um potencial de 41% de votos pendulares. Ou os chamados “votos voláteis”. Veremos até novembro o que vai acontecer no final das eleições municipais com o barômetro político.
De qualquer forma, a preços de hoje, o centro tem ainda grande relevância no espectro político. Lula avançou no eleitorado do centro e com ele ganhou as eleições de 2022. De lá para cá, perdeu gradualmente parte desse eleitorado.
Olhando para 2026, com a ressalva de que é preciso aguardar o barômetro de 2024, o fato é que há um vácuo político a ser preenchido na “estrada do centro político”. Com a desidratação gradual do PSDB, acelerada em 2023, o eleitorado de centro está sem liderança e sem referência.
Congresso Nacional, em Brasília
Congresso Nacional, em Brasília Crédito: Roque de Sá/Agência Senado
Como em política não existe vácuo que fique por muito tempo, deveremos assistir em 2024 - nas eleições e depois - e em 2025 movimentações para preenchimento do vácuo.
Intuo que o governo Lula-3 está se reposicionando, embora ainda de forma errática, para reconquistar fatias ao centro. Uma nova reforma ministerial poderá ser necessária depois das eleições municipais. Assim como já é necessário um ajuste no tom e conteúdo do diálogo com segmentos da sociedade, como os evangélicos e o empresariado.
Intuo, também, que as sucessões para as presidências da Câmara e do Senado deverão levar alguns partidos a um ajuste de reposicionamento político. Nesta direção, pode-se vislumbrar ajustes tanto no PSD quanto no Republicanos. Esses dois partidos já buscam ocupar espaços políticos que já foram do PSDB, não apenas em São Paulo.
Essa busca por novos espaços requer não só a disputa para ampliar o comando político no plano do poder local/municipal. Requer, também, uma repaginada na direção da opção pelas pautas liberais, para além do liberalismo econômico. Concretamente, na direção do liberalismo social.
Na prática, parece existir, hoje, um potencial pendular de até 41% do eleitorado brasileiro.
Renato Meirelles do Instituto Locomotiva, citado por José Casado, interpreta recentes pesquisas da seguinte forma: “O brasileiro quer ver a luz do fim do túnel, o que Lula não está oferecendo”.
O vácuo de lideranças no centro político deverá ser disputado, depois de 2024, por uma miríade de lideranças nacionais em ascensão, no espectro centro-direita e centro-esquerda. Principalmente atuais governadores.
Fulanizando: Tarcísio de Freitas; Ratinho Júnior; Romeu Zema; Jorginho Mello; Ronaldo Caiado; Rafael Fonteles; e Helder Barbalho, todos atuais governadores. E Renan Filho; Camilo Santana; Wellington Dias; e Fernando Haddad. Além deles, claro, o presidente Lula.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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