Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Economia

Selic no nível mais baixo da história tem pouco efeito no crédito pessoal

Analistas do mercado preveem outra redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros na próxima reunião do Copom, em setembro. Isso, porém, vai gerar mais volatilidade do câmbio e não deve destravar indecisões sobre empréstimos

Publicado em 07 de Agosto de 2020 às 05:00

Públicado em 

07 ago 2020 às 05:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

Cofre e dinheiro: rentabilidade da poupança está cada vez mais baixa
Infelizmente, a rentabilidade da poupança está cada vez mais baixa diante da queda dos juros Crédito: Freepik
Com a Selic a 2%, o Brasil consolida cenário de juros inimagináveis antes da pandemia. E grande parte do mercado financeiro acredita que a sequência de cortes na taxa básica (o que foi feito anteontem é o novo seguido) ainda não parou. O Banco Central admite que há espaço (condições de política monetária) para isso.
Analistas financeiros dão como provável outra redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom (15 e 16 de setembro). Essa perspectiva significa que é duvidosa a capacidade de reação da economia em 2020. A necessidade de juros menos inacessíveis se prolongará em 2021.
O impacto da Selic no bolso do brasileiro é irrisório. As reduções de taxas têm beneficiado empresas. Estão caindo há vários meses, em muitos bancos. Mas no crédito pessoal permanecem elevadíssimos. Estratosféricos. Agora devem recuar de 93,35% ao ano para 92,91% ao ano, em média. Que país é esse? Esta é a projeção da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac).
Nunca foi fácil sair de forte recessão. Agora, por mais razões. São muitas as dúvidas. Que reformas sairão do papel nos próximos meses, capazes de incentivar investimentos? A quanto a reforma tributária não se sabe sequer quais serão as próximas etapas a serem propostas pelo governo. Muito menos, o que irá sair do Congresso. A questão fiscal também é altamente preocupante. As contas públicas estão desorganizadas, e o governo não convence de como vai arranjar dinheiro para reorganiza-las. Todas essas circunstâncias têm repercussão na tomada de crédito e nas condições de empréstimos.
A menção a reformas é cobrança de mudanças estruturais para amenizar empecilhos que desde muito antes da pandemia tolhem o crescimento. Também decorre da percepção de que a Selic mais baixa da história (desde 1999 quando entrou em vigor o regime de metas para a inflação) evita um cenário econômico pior, mas sozinha não ter força para dar bom impulso na economia.
Economistas projetam um tombo de cerca de 5,6% no Produto Interno Bruto deste ano, apesar dos diversos programas de recomposição de renda (auxílios emergenciais) que deve ser extintos em poucos meses. E a inflação segue rasteira refletindo a retração da demanda. Atividades mais afetadas pelo isolamento social estão prostradas. A expectativa do IPCA para este ano é de apenas 1,6% (quase a metade do piso de 2,5% previsto pelo sistema de metas). Em abril e maio, o consumo estava praticamente parado. Agora, evoluiu para fraquíssimo.
Como ficam as aplicações financeiras com a taxa básica no mínimo histórico de 2% ao ano? Vamos nos ater à poupança, o ativo mais popular do mercado. Como renderão R$ 10 mil aplicados na caderneta de poupança durante um ano? Analistas apontam as seguintes respostas: 1) se a Selic não sofrer novos cortes, permanecendo em 2%, a caderneta receberá juros de 1,4% ao ano, portanto, o rendimento anual será de R$ 140. Assim, o depósito de R$ 10 mil evoluirá para R$ 10.140 após um ano; 2) se a Selic recuar para 1,75% ao ano, os juros pagos à poupança serão de 1,23% e os R$ 10 mil avançarão para R$ 10. 123; 3) se a Selic cair para 1,5% ano, os juros ao poupador serão de 1,05% e os R$ 10 mil ficarão em R$ 10.105.
Tudo isso significa um grande desestímulo ao poupador. Onde o cidadão comum vai comprar algum bem financiado pagando 1,4% (ou menos) de juros ao ano, conforme está pagando a caderneta de poupança? É um raciocínio muito simples, mas real. Faz parte do dia a dia das pessoas.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Mitra (cobertura da cabeça), produzida pela Cordis, que o novo arcebispo de Aparecida vai usar em sua posse
O talento (visível) capixaba na posse do novo arcebispo de Aparecida
Roberta e Valquíria Cheim
Valquiria Cheim ganha festa de aniversário surpresa em Vitória
Imagem de destaque
"O ES é fundamental no reposicionamento da Vale", afirma presidente da companhia

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados