A substância que a economia brasileira mais precisa neste momento chama-se confiança. Com ela, todas as engrenagens são favorecidas. Mas sem ela... Números não mentem e, infelizmente, mostram crise de confiança. O temor em relação ao amanhã é danoso. O patamar de atividade está muito baixo e a recuperação vagarosa demais.
O governo, principalmente, e também o Congresso são responsáveis por essa situação. Precisam perceber quão prejudicial será para o país se 2020 terminar sem a implementação de mecanismos eficazes voltados para o crescimento e a melhoria das condições fiscais. A reforma tributária não pode demorar mais, e nem ser chocha na sua abrangência.
A insegurança fiscal está afugentando investidores. Estrangeiros estão deixando de aplicar no país. A participação deles em títulos da dívida pública reduziu-se a apenas 9%. Já foi de 21% em 2015, mas começou a se deteriorar já naquele ano, em função da queda de 3,8% no PIB, o pior resultado em 25 anos. Hoje, o mais preocupante são as contas públicas.
Ninguém tem certeza de como evoluirão as cifras do governo. O que está muito visível é a piora da contabilidade. O endividamento avança rapidamente, puxado pelo buraco fiscal. O país está pendurado em curto prazo. Nada menos que R$ 2,260 trilhões, quase a metade da dívida líquida interna (que já soma R$ 5,280 trilhões) vencem em até 12 meses. A rolagem da dívida ficou mais cara.
Veja algumas consequências da apreensão sobre as contas: dados do Banco Central mostram que os investimentos estrangeiros diretos no Brasil somaram US$ 26,9 bilhões de janeiro a agosto deste ano, uma queda de 41% frente ao mesmo período do ano passado, quando atingiram US$ 46 bilhões. Trata-se do menor valor para o período em 11 anos, ou seja, desde 2009, quando totalizaram US$ 18,9 bilhões.
O prejuízo não para aí. As estatísticas do Banco Central também mostram retirada pelos investidores de US$ 28,2 bilhões de aplicações financeiras no Brasil, de janeiro a agosto deste ano. O valor inclui fundos de investimentos, ações e títulos de renda fixa. É o maior fluxo de saída desde o início da série histórica em 1995, ou seja, em 26 anos.
É claro que os investimentos estrangeiros diretos tendem a se retrair em períodos de desaceleração econômica. Mas outras crises também atordoam o Brasil. Dentre elas, o agravamento atípico do quadro fiscal, e a crise de imagem, em função da destruição deliberada do meio ambiente. Somos o país das onças queimadas.
Já o desmatamento é apavorante. Segundo o IBGE, em 18 anos a Amazônia perdeu área maior do que duas vezes o Estado de São Paulo (ou duas vezes o tamanho do Reino Unido). O mundo está urrando contra isso. E o Brasil sofre ameaça de isolamento econômico. Frequentemente, surgem articulações de retaliação. Boicote declarado a produtos brasileiros. Vale lembrar que sem sustentabilidade nenhuma economia se manterá em pé.