Começos e chegadas são mesmo uma pequena arte. Conversas iniciais, o parágrafo inaugural daquele livro, um caderno pronto para ser preenchido à moda antiga. Um hábito que antes não havia, os primeiros passos em direção a algo mais ameno ou mais desafiador. Um ano todo à espera de histórias, encontros e transformações.
Que bom que seja assim. Os últimos tempos, afinal, não foram fáceis. A pandemia tirou 15 milhões de vidas ao redor do mundo, e o Brasil, você sabe, não deu moleza para os diferentes, os vulneráveis, os otimistas, os progressistas e os sonhadores.
2020 atropelou quase tudo e quase todos, simplesmente. 2021 nos viu sucumbir ao cansaço, ao burnout, às perdas e ao desengano de achar que, na virada, estaríamos livres da pandemia.
2022 trouxe um lembrete amargo de que os perigos seguiam à espreita, mas também vacina em massa, retomadas, reencontros e reconstruções. Não por acaso, uma tradicional pesquisa que elege a Palavra do Ano escolheu ESPERANÇA para a temporada que acabamos de fechar.
Esperança, antes de mais nada. Decepção e dificuldade empatadas no segundo lugar. Confusão, superação, polarização, democracia, alívio, divisão, Amazônia e complexidade na sequência do levantamento feito em todas as regiões do Brasil, entre os dias 4 e 9 de novembro.
O resultado revela um pouco do espírito do tempo em que vivemos, um tempo de boas expectativas, mas também de durezas acumuladas, extremismos, desordens de tipos variados, enredamentos e semeaduras.
Depois de refletir o peso que pairava no ar, escolhendo Dificuldades (2019), Luto (2020) e Vacina (2021) como Palavras do Ano, a pesquisa e todo o cenário que influencia suas escolhas apontam, enfim, para dias melhores.
Os ventos que sopram com os primeiros dias de janeiro trazem fé na mudança, leveza, esperança, disposição e generosidade. Que elas sigam ao nosso lado, em 2023 e além.