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Audiovisual

Wandinha e Pinóquio exaltam a coragem de ser o que se é

Jornada dos dois gira, de algum modo, em torno da desobediência como forma de libertação e autoafirmação

Publicado em 18 de Dezembro de 2022 às 00:30

Públicado em 

18 dez 2022 às 00:30
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Série
"Wandinha", da Netflix, tem filha adolescente da Família Addams como protagonista Crédito: Netflix/Divulgação
Não sei vocês, mas eu costumo simpatizar de imediato com personagens desacertados, desajustados, desencaixados como Wandinha Addams e Pinóquio.
Gosto do espírito torto que nos faz recuar à primeira vista, mas que no fundo esconde falta de traquejo, um bom e velho trauma, uma enorme ausência de alguma coisa. Me sensibilizo com a falta de jeito que questiona padrões e preconceitos. Estimo as esquisitices dos que têm bom coração.
Estou falando em especial da protagonista da série de TV criada por Tim Burton com base na filha adolescente da Família Addams e do boneco de madeira do filme de Guillermo del Toro, os dois lançados recentemente. Mas podia estar falando de mim, de você, de quem, vez ou outra, sente que não cabe.
Wandinha Addams é autossuficiente, turrona e sarcástica, dona de um gosto macabro, de hábitos pouco ortodoxos e de uma inabalável tendência à reclusão. Delicadeza e altruísmo não são o seu forte.
Na série da TV, ela acaba expulsa do colégio e transferida para a Academia Nunca Mais, uma escola de crianças superdotadas ou com poderes mágicos nas proximidades de uma cidadezinha conservadora no meio do nada. Wandinha tem poderes sobrenaturais e vai investigar uma série de assassinatos no local.
O cenário da nova versão de Pinóquio é igualmente antiquado e ainda mais assustador: a Itália durante a ascensão do fascismo. Confuso por ser tão diferente das outras crianças, o boneco de madeira cujo nariz cresce quando ele mente foge de casa para encontrar seu lugar no mundo.
Pinóquio
Cena de Pinóquio Crédito: Netflix
Na fábula recriada por Guillermo del Toro, Pinóquio, um boneco temperamental e impulsivo, se vê obrigado a participar de um treinamento de guerra e a trabalhar como atração no circo de um sujeito desalmado.
A jornada dos dois gira, de algum modo, em torno da desobediência como forma de libertação e autoafirmação.
A dança de Wandinha no baile da escola, no episódio 4, é uma ode à imperfeição, uma celebração da esquisitice, uma homenagem à coragem de ser exatamente o que se é, a despeito dos padrões que o mundo impõe.
O número de marionetes criado por Pinóquio para receber o ditador Benito Mussolini também tem um quê da ousadia de se dizer o que precisa ser dito.
Tanto Wandinha quanto Pinóquio, no entanto, têm a ordem à espreita. Os limites e a autoridade representados pela diretora da Academia Nunca Mais, pelo xerife ou pelo obtuso oficial de alto patente do regime fascista, por exemplo, são os antagonistas da exaltação à diferença promovida pelos dois personagens.
Mas há também afetos, encontros e redenções, e são eles que contam, no final das contas. Wandinha e Pinóquio guardam o charme das pequenas transgressões, o encanto típico de quem leva a vida com um misto de rebeldia e originalidade.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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