Por que andamos com tanta pressa? De onde vem a urgência, a emergência, a impaciência? Em que momento passamos a acelerar os passos, os áudios, as pessoas?
A pressa tem poder. Ela nos assombra, nos desorganiza. A pressa nos leva da tração para a distração, do fluxo que move para a energia desordenada que bagunça a corrente. Ela nos empurra do movimento rumo ao que importa para a paralisia que sufoca a vida. A pressa nos distrai.
Como era mesmo quando não havia a possibilidade de acelerar conteúdos? Como era mesmo abrir uma aba de cada vez? Quando foi que passamos a comer correndo também aos sábados? Em que momento o ritmo demasiado humano se tornou um fardo, uma irritação? Em que lugar a paciência se perdeu de nós?
Parei [ufa] esses dias pra pensar no quanto. Foi uma pausa não programada, forçada pelo turbilhão de questões insistentes a respeito das quais se podia fazer pouca coisa. Uma pausa meio na marra, a lembrar da importância de desacelerar, sair do estado de alerta contínuo que acorda a ansiedade ao mesmo tempo em que se alimenta dela. Uma pausa anticorreria.
Acontece que a pressa tem força. Ela nos desestrutura, nos adoece, amplifica nossas dores, nos acelera até quando o tempo sobra. Em seus domínios, falta equilíbrio, falta respiro, falta musculatura.
Na pressa, a mente não descansa, a coluna entorta, os batimentos se agitam pelo turbilhão de possibilidades em aberto, à espera de escolha. Na pressa, aceleramos o mundo, elevamos a potência das impaciências. Na pressa, esquecemos a oração de Walter Franco — tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo.