Como uma coisa leva à outra, evoquei Manoel de Barros, Carlos Drummond de Andrade e Luiz Melodia ao ouvir o sábio Ailton Krenak dizer que a tagarelice dos humanos silencia a sabedoria das formigas.
Busquei o quintal que era maior que o mundo, porque o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com elas. Trouxe à tona o ser como uma ciência delicada feita de pequenas observações, dentro e fora da gente. Cantei baixinho uma canção em especial.
[Se a gente falasse menos talvez compreendesse mais…].
Estávamos entre árvores, à beira do mar, três noites em torno do tema “Desnaturada: Chamado Ancestral”, de como nossos hábitos têm nos separado da natureza, do sonho como antídoto, dos que vieram antes como inspiração.
A missão era nobre: sonhar mundos possíveis em que Cultura e Natureza convivam em harmonia, resgatar práticas e experiências que nos ajudem a habitar a Terra com suavidade, aprender com os que vieram antes; cantar, dançar e contar histórias para adiar o fim do mundo.
Como uma coisa leva à outra, pensei em Guimarães Rosa. Quem elegeu a busca não pode renunciar à travessia, afinal.
Lembrei ainda da lição de anos antes, de que aprender a ser simples demora muito tempo. Escrever modesto não é tão fácil quanto enfileirar palavras difíceis, frases longas, texto duro. Consumir pouco nos desafia mais que comprar desembestadamente.
O que dizer então do ex-imperador que se despiu do poder e da vaidade para cultivar repolhos?
O tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com elas - repito Manoel de Barros. Tem coisas que a gente só descobre mesmo depois de grande.