Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Crônica

Pequena crônica sobre uma coisa levar à outra

Lembrei da lição de anos antes, de que aprender a ser simples demora muito tempo. Escrever modesto não é tão fácil quanto enfileirar palavras difíceis, frases longas, texto duro. Consumir pouco nos desafia mais que comprar desembestadamente

Publicado em 18 de Maio de 2025 às 04:00

Públicado em 

18 mai 2025 às 04:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Recém-eleito para a ABL, Ailton Krenak fará palestra gratuita em Vitória nesta sexta (1)
Ailton Krenak  Crédito: Bel Pedrosa/Instagram @_ailtonkrenak
Como uma coisa leva à outra, evoquei Manoel de Barros, Carlos Drummond de Andrade e Luiz Melodia ao ouvir o sábio Ailton Krenak dizer que a tagarelice dos humanos silencia a sabedoria das formigas.
Busquei o quintal que era maior que o mundo, porque o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com elas. Trouxe à tona o ser como uma ciência delicada feita de pequenas observações, dentro e fora da gente. Cantei baixinho uma canção em especial.
[Se a gente falasse menos talvez compreendesse mais…].
Estávamos entre árvores, à beira do mar, três noites em torno do tema “Desnaturada: Chamado Ancestral”, de como nossos hábitos têm nos separado da natureza, do sonho como antídoto, dos que vieram antes como inspiração.
Poeticamente, chovia.
A missão era nobre: sonhar mundos possíveis em que Cultura e Natureza convivam em harmonia, resgatar práticas e experiências que nos ajudem a habitar a Terra com suavidade, aprender com os que vieram antes; cantar, dançar e contar histórias para adiar o fim do mundo.
Como uma coisa leva à outra, pensei em Guimarães Rosa. Quem elegeu a busca não pode renunciar à travessia, afinal.
Lembrei ainda da lição de anos antes, de que aprender a ser simples demora muito tempo. Escrever modesto não é tão fácil quanto enfileirar palavras difíceis, frases longas, texto duro. Consumir pouco nos desafia mais que comprar desembestadamente.
O que dizer então do ex-imperador que se despiu do poder e da vaidade para cultivar repolhos?
O tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com elas - repito Manoel de Barros. Tem coisas que a gente só descobre mesmo depois de grande.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Ataque a tiros em pirâmides do México deixa turista morta e várias pessoas feridas
Imagem BBC Brasil
Governo Trump manda delegado da PF que ajudou ICE a prender Ramagem deixar os EUA
Agência do Banco do Brasil em Baixo Guandu voltou a funcionar normalmente
Agência do Banco do Brasil volta a funcionar e não vai fechar em Baixo Guandu

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados