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Crônica

O dia em que vi de perto as ideias de Ailton Krenak para adiar o fim do mundo

Krenak protagonizou uma segunda-feira inesquecível com sua passagem neste julho que dizem ser inverno, mesmo que não pareça [prefiro assim]. No dia seguinte, voltou para sua aldeia, na margem esquerda do rio

Públicado em 

14 jul 2024 às 02:30
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Recém-eleito para a ABL, Ailton Krenak fará palestra gratuita em Vitória nesta sexta (1)
Ailton Krenak  Crédito: Bel Pedrosa/Instagram @_ailtonkrenak
Nos últimos dias, tive a honra de ver de perto as ideias de Ailton Krenak para adiar o fim do mundo. Ele, que escreveu que nosso tempo é especialista em produzir ausências e intolerâncias, fala de modo manso, mas nada vazio; brando, mas nem um pouco condescendente; leve como na canção, mas suave coisa nenhuma.
Indígena da etnia Krenak, o povo que resiste na margem esquerda do rio Doce - na direita há uma serra com nome, personalidade e habilidade de indicar, de manhã cedo, se o dia vai ser bom ou melhor ficar quieto. Krenak exalta o prazer de estar vivo, de dançar e de cantar, de contar histórias e das pequenas constelações de gente espalhada pelo mundo que dança, canta e faz chover.
Filósofo, contador de histórias escritas, mas especialmente faladas, ambientalista. Sua presença ocupa o espaço e o espírito, imensa, sólida, límpida e fresca como os copos de água sem gelo que ele bebe enquanto encanta a gente que ouve, numa palestra com lotação esgotada, numa pequena roda, na mesa do almoço ou na pausa para o jantar.
Primeiro representante dos povos originários a ocupar uma cadeira na tradicional Academia Brasileira de Letras. É ele quem diz que, ao longo dos últimos dois ou três mil anos, construímos uma ideia bastante questionável de humanidade, empilhando escolhas que justificam o uso da violência, a destruição da natureza e a redução da capacidade de invenção, criação, existência e liberdade.
Não por acaso, a visita de Ailton Krenak marcava o início de um projeto de valorização de elos, laços, conexões e mediações em comunidades para além do centro. De espaço para outros olhares e outras narrativas, pensado para construir, potencializar e iluminar lugares de ler livros, mas não só eles. De construção de acervos e repertórios, que leve em conta todo tipo de saber, de dentro e de fora.
Krenak protagonizou uma segunda-feira inesquecível com sua passagem neste julho que dizem ser inverno, mesmo que não pareça [prefiro assim]. No dia seguinte, voltou para sua aldeia, na margem esquerda do rio - na direita, está Takukrak, a serra com nome e habilidade de indicar, logo cedo, se o tempo fechou ou, bem ao contrário, as previsões apontam para festa, dança, pesca, o que você quiser.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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