Quem passa diariamente ou de vez em quando por aqui sabe que, todo ano, há mais de 20 anos, um grupo de jornalistas em início de carreira participa do Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta.
Participei deste programa, muitos e muitos (e muitos) anos atrás, e atualmente tenho a alegria de guiar esse grupo nas atividades diárias do projeto, que contribui com a qualificação de profissionais não apenas em A Gazeta, não apenas no Espírito Santo, mas por aí, pelo mercado e pelo mundo.
Gosto em especial de um desafio que inventei para eles no comecinho da nossa trilha. Uma entrevista em duplas, em que um traça o perfil do outro e, depois, compartilha com o grupo. Uma apresentação meio jornalística meio afetuosa de dois desconhecidos tentando desenvolver entre si e com o todo a relação básica que aprendemos com a Matemática e a Teoria dos Conjuntos - a relação de pertinência.
A atividade permite que todos se conheçam um pouco, no início do percurso de três meses que trilhamos juntos. Mas, muito mais que isso, há ali um exercício que une empatia, diversidade, a arte de ouvir, os desafios de descobrir uma boa história e o sutil equilíbrio entre se preservar e baixar a guarda.
Os residentes não poderiam ser mais diferentes entre si, e isso também tem seu propósito. Diversidades e sutilezas costumam render olhares, experiências e repertório mais amplos. Ao abrir um pequeno respiro na rotina para que isso venha à tona, treinamos para o jornalismo, mas também para a vida neste longo período de distâncias, individualismo e desencontros.