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Rumo a 2022

Fim do ano traz bem-vinda oportunidade de rever as coisas

Apesar das esperanças que por tradição sopram em dezembro, da vacina que avança e dos planos que se desenham, dá pra dizer, sem medo de errar, que não tá fácil pra quase ninguém

Publicado em 12 de Dezembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

12 dez 2021 às 02:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Chegamos à reta final de 2021, e a verdade é que não tem sido tarefa simples diferenciar 2020 de seu sucessor, discernir as metas de 2022 das promessas do ano anterior, fazer as contas dos recomeços engolidos pela Covid-19 e suas longuíssimas tribulações.
Apesar das esperanças que por tradição sopram em dezembro, da vacina que avança e dos planos que se desenham, dá pra dizer, sem medo de errar, que não tá fácil pra quase ninguém. Você também tem a impressão de estar numa espécie de looping, desde o início da pandemia, em março de 2020?
As marcas se acumulam, trágicas e velozes: 100 mil vidas brasileiras tiradas pela Covid até agosto de 2020, 5 meses depois do registro da primeira morte; 500 mil em junho de 2021; 600 mil 4 meses depois; 5 milhões de vítimas no mundo, apenas 117 dias após o registro de 4 milhões de partidas; 13,5 milhões de desempregados no Brasil de outubro de 2020, quase 15 milhões em maio de 2021, pouco menos nos meses seguintes; 53 milhões de novos casos de depressão e 76 milhões de ansiedade na pandemia.
A percepção do tempo mudou drasticamente do começo da Covid para cá - já estão por aí muitos artigos, vídeos, memes e conversas de bar sobre o tema.
Mergulhamos ainda mais fundo num cansaço infinito e numa sensação constante de aceleração, acentuados pelo distanciamento social e pelas consequências físicas, emocionais e socioeconômicas da doença.
A chegada da variante ômicron, o excesso de informação e os desdobramentos pessoais, profissionais e coletivos da epidemia global também estão na ordem dos dias.
A boa notícia é que o fim do ano nos traz uma bem-vinda oportunidade de rever as coisas e, dentro do possível, desenhar rumos novos, corrigir rotas e parar para pensar, se não quisermos seguir a mil por hora com destino a lugar nenhum.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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