Não quero parecer pessimista, ainda mais se for domingo, mas você acha que a vida um dia vai voltar ao normal? Como driblar o medo que paira no ar, apesar da vacina e dos números em queda? Onde guardar a sensação de que ainda corremos perigo, a despeito do cansaço acumulado em quase dois anos de recolhimento e más notícias?
Como não desrespeitar a memória dos 5 milhões de mortos pela
Covid e o luto dos que os amavam? Como, ou de que modos, podemos estar outra vez fora de casa, festejar um reencontro, rever os amigos e abraçá-los, demoradamente?
De volta às ruas, como nos comportar? Qual o ritual certo, o ritmo adequado, a dose correta, o equilíbrio do retorno? Já dá pra retomar as sessões semanais de cinema (saudade…) ou apenas eventos pequenos e ao ar livre, até que se prove o contrário? Se eu for, vou de máscara, incondicionalmente? Se eu não for, serei julgada e condenada?
Não está fácil achar o tom. Mesmo para quem não teve um morto na família, não sentiu na pele o impacto econômico e o peso emocional da pandemia. Mesmo quem não viu faltar comida na mesa nem experimentou a ausência do ar. Mesmo quem conseguiu manter o emprego e algum fio de esperança.
É como disseram os cientistas ouvidos pelo Times: o fim da pandemia não será apenas epidemiológico, mas também social. Ele virá com vacinas e tratamentos eficazes, redução no número de casos, internações e mortes, mas também na retomada das rotinas, quando perdermos o medo e a vida, enfim, quem sabe, voltar realmente ao normal.
Não quero parecer pessimista, ainda mais se for domingo, mas é bom lembrar que a pandemia, infelizmente, ainda não acabou.