Estivemos por quatro dias em Brasília, depois de anos sem voltar lá. A última vez tinha sido corrida, sem tempo para rever amigos que deixamos quando viemos para Vitória em 1987. Uma viagem de amizade.
Fizemos uma programação de visitas com base no tamanho da saudade e no bom senso possível. Ficamos hospedados na casa de nossa amiga que me trata por “marido” há quase 50 anos. Providência fundamental para colocar a conversa em dia, dormir com total conforto, tomar café da manhã e tricotar com liberdade e vestígios de pimenta.
Começamos o périplo na tarde de quinta nos arredores do Jardim Botânico, visitando uma amiga que esteve adoentada de doer coração. De cabelos totalmente brancos, animadíssima, ela nos apresentou sua casa em detalhes, demonstrando orgulho por ter construído um lugar tão bonito e funcional. Seus dois filhos, que só vimos pequenos, nos receberam carinhosamente como tios.
Na manhã seguinte, tomamos café com um amigo desde os idos de 1970, quando conversamos sobre um projeto ousado que tenho na cabeça faz tempo e que, por pura afinidade de nossos valores e emoções, agora também está na dele.
Depois de visitar a SQN 104 e fotografar o bloco onde moramos por três anos, caminhamos até a SQN 303 para rever um homem de quem fui aluno na pós-graduação, seu monitor na graduação, seu colega de trabalho, chefe e subordinado. Ele estava meio frágil das pernas, mas com a cabeça a mil, como sempre. Disse que quer escrever um livro sobre as grandes guerras da humanidade.
Depois fomos à SQS 216, para rever um amigo muito especial, sempre crítico ao que se passava em volta e intransigente com o que não estivesse dentro dos conformes. Pai de 4 e agora avô de 7, ele está ainda mais firme em suas convicções.
A feijoada de sábado aconteceu num belo apartamento reformado na SQS 215, com gente muito querida rindo alto, na alegria do reencontro. Seguindo a tradição, após as discussões acaloradas de sempre, instalou-se a mais famosa mesa de carteado do pedaço.
De lá, fomos ver o casal querido da SQS 211, onde falamos sobre um projeto para enfrentar o problema do mercúrio nos garimpos enquanto comíamos torta de frango de Pirenópolis. Ganhamos um belo livro que atualiza as andanças de Saint-Hilaire no sertão de Goiás com a contribuição dos dois. Conversa sem fim, quase sem ponto parágrafo.
No domingo estivemos na casa de candangos bolivianos na SHIN QI 14 para comer saltenha, delícia que conheci ainda menino em La Paz e nunca mais esqueci. Visitamos a plantação de lúpulos, bebemos cerveja artesanal e conversamos sobre alternativas para o lançamento do meu livro sobre colheres.
No caminho paramos na SHIN QL 3 para rever amigos dos tempos de João Pessoa. Nossas reminiscências foram prejudicadas pelo bando de capivaras que domina um pequeno lago que faz divisa com o terreno. Em casa, ninguém achou graça no primeiro debate na TV.