A tirar por notícias recentes e opiniões de quem acompanha a política, o presidente está ficando irritado e nervoso, com o que vai percebendo a cada dia que passa, exigindo dele atitudes cada vez mais ousadas, contundentes e até agressivas.
Como ele dorme pouco, é bem possível que esteja dando telefonemas madrugada adentro para subordinados e parentes, em busca de escuta e, sobretudo, de concordâncias para as iniciativas eleitoreiras que adotará depois que o sol raiar.
A impressão que se tem é que está em andamento uma etapa crucial de um processo preocupante, há muito anunciado. O que se vê é um homem dotado de poder legítimo agindo de forma obsessiva, guiado por uma espécie de fanatismo messiânico: se há corda, que seja esticada; se existe poder de compra, que seja exercido; se há medo, que se amedronte; se há mérito, que se desmereça; se há limite, que se exploda, e assim por diante.
Dá pra supor que chegará o dia em que não haverá quem consiga fazer algo que possa demovê-lo da obsessão, como se faz com criança mimada que chora aos berros, dá pulinhos balançando os braços só pra ficar com o brinquedo do irmão.
É de se supor que suas decisões e atitudes desvairadas têm produzido, de forma crescente e cumulativa, constrangimentos e vergonhas variadas em pessoas aliadas e interesseiras que o cercam e provocado arrependimentos em uns tantos que já o apoiaram no passado. Percebe-se que o silêncio em torno dele aumenta progressivamente e se expande para fora dos palácios.
Por suas provocações estarem acontecendo em ritmo e intensidade crescentes, pessoas, instituições e entidades que se sentem desrespeitadas e cansadas de bravatas começaram a se contrapor de forma clara. Milhares e milhares têm feito isso com seu nome, CPF e endereço declarados nas redes.
Está dito e feito e não adianta ele espernear nem desprezar a convicção dos que assinam o que aprovam e defendem. Fazem-no livremente, sem atitudes de salve-se quem puder, de espírito de porco e de Maria vai com as outras. Trata-se de um basta bem firme e com traços de esperança.
Pra complicar um pouco mais, o Presidente já deve ter percebido os sinais de que a turma do Centrão começa a preparar a debandada de fininho, traiçoeiramente, conforme previsto. Pra esse pessoal pacato e interesseiro é fundamental atuar sempre ao lado dos detentores da chave do cofre e do poder da caneta.
Nem imagino o que poderá acontecer no 7 de Setembro, no Rio de Janeiro. Se fosse prefeito da cidade, manteria o desfile no lugar de sempre, por puro bom senso e precaução.