A nossa goiabeira pode ser considerada um equipamento de capacitação e diversão de crianças já mais taludinhas. Em dezembro de 2021, com a casa cheia de netos, instituí um campeonato pra ver quem tirava mais goiabas. Foi um grande sucesso. Como fomos anotando, foi possível montar uma planilha, indicando data e quantidade tirada por cada um, naquela safra de 840 frutas. Ganhei com folga, sem qualquer mérito.
É bem provável que tal iniciativa tenha sido inspirada na fotografia, das poucas que tenho da infância, que papai fez do filho do meio agarrado no tronco da goiabeira que existia na nossa casa em Cachoeiro. O curioso é que a cena permanece intacta me fazendo lembrar da emoção que senti em estar ali, sem a ajuda de ninguém.
Não é pra me gabar, nem fazer inveja mansa, mas digo que, apesar do pouco espaço, temos um pomar bem produtivo: um pé de cajá anão, um de romã sem graça, duas jabuticabeiras doidinhas, uma pitangueira das boas, um mamoeiro em fase de crescimento, dois pés de maracujá graúdos, uma goiabeira poderosa e, de quebra, acesso às pontas de galhos do abacateiro fincado no terreno da vizinha querida.
Gosto de acompanhar as florações e o desenvolvimento das frutas e costumo colher o que estiver “de vez”, antes dos passarinhos atacarem. Sempre que há fartura, aproveito pra fazer sucos, compotas e geleias, para comer em casa e dar de presente.
O interesse de Yara, neta com 2 anos, em acompanhar o serviço de colheita, faz pensar na satisfação que ela deve ter em poder usar suas mãozinhas para arrancar jabuticabas, pitangas e goiabas pra colocar na boca, ali mesmo, sem lavar. Isso sem falar no tanto que gosta de se ver nas fotografias, posando ao lado das frutas.
Nas últimas semanas, logo que chega aqui ela me pede pra tirar goiaba. Decidida, trata de pegar uma sacola, colocar as alças no ombro e, com carinha de menina esperta, me oferece a mãozinha pra irmos juntos até a goiabeira. Munido de vara com cestinha dentada na ponta, vou tirando uma por uma e trazendo pra perto dela, que as apanha com todo cuidado e coloca na sacola.
De volta à cozinha, faz questão de mostrar o resultado da colheita e de ver o avô escolher uma delas, descascar, tirar os caroços e cortar em pedaços. Come tudinho com cara boa e pede mais.
Outro dia, depois de tirar 4 abacates do alto do muro, pedi que Alice, neta já bem crescidinha, subisse no telhado pela goiabeira, mais uma vez, agora pra conferir se havia maracujás maduros. Deu super certo: além de colher 6 enormes e amarelinhos, que foi jogando pra eu pegar, ela aproveitou o sol do fim de tarde para projetar a sua sombra na parede da casa ao lado, fazendo graça pra prima e pros avós, que olhavam pra cima, morrendo de rir.
As fotos que fiz ficaram ótimas e, imagino, ajudarão a manter vivas, na cabeça das duas, as emoções daquela tarde.