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Crônica

Fortes emoções nos últimos dias

Experimento, há alguns dias, a sensação de estar rompendo com uma verdade em que acreditei por mais de 30 anos

Públicado em 

21 mar 2025 às 02:45
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Não é pra me gabar, nem fazer inveja a ninguém, mas devo dizer que esses últimos dias foram tempo de acontecimentos relevantes, que produziram ótimas emoções.
Depois de idas e vindas, foi ao ar uma entrevista que dei para Francisco Grijó, nos estúdios da TV Vitória, sobre os meus livros "Crônica do meu primeiro infarto" e "Viva a produção prazerosa". A nossa conversa, franca e animada, tem produzido comentários bons de ouvir. Entendo que reconhecimento é uma poderosa métrica para aferir e computar os resultados do que foi feito e, para que ele possa acontecer, é indispensável levar o que foi produzido ao conhecimento das pessoas.
Também, recebi muitos comentários safadinhos e declarações de solidariedade ao que escrevi sobre a prova de natação que ganhei, com muito esforço e alguma sagacidade, mas da qual não levei a medalha de ouro por um erro inacreditável. A evolução da competição, nas águas salgadas e oleosas do canal, foi acompanhada da calçada por muita gente, que se esgoelou nos últimos acontecimentos na chegada. Impressiona como o fato ficou na memória de tanta gente.
Falando em natação, experimento, há alguns dias, a sensação de estar rompendo com uma verdade em que acreditei por mais de 30 anos: mesmo que conseguindo andar boas distâncias em ritmo acelerado, tinha em conta, depois de algumas tentativas, de que não mais conseguiria nadar nem uns poucos metros, sem que aparecesse uma forte dor nos peitos.
Pois bem, por estímulo de conhecidos que nadam na Praia da Esquerda, resolvi começar a “nadar” parado, de pé e com água no suvaco. Em outras palavras, estou dando braçadas pra frente e pra trás, em ritmo lento, como se nadando a favor de uma correnteza. Pode parecer bobagem, mas digo, com algum orgulho, que estou conseguindo bons resultados e que em breve vou tentar nadar deitado e batendo os pés, uma atividade que me proporcionou ótimas emoções durante muitos anos. A bem da verdade, sinto uma dose de inveja quando vejo aquele pessoal nadando, como se estivessem se divertindo, em busca de saúde.
No começo da semana recebi convite da direção da Action e da Assespro, entidades que agregam as empresas de software do Estado, para participar de um encontro no início de abril, na Findes, e beber vinho em comemoração aos resultados alcançados pelo setor em 2024.
Fui informado, com toda simpatia, que as lideranças pretendem fazer a homenagem que me fariam no ano passado durante um grande evento, inviabilizado por uma falta de energia na região do Aeroporto. Ao fazer um roteiro de lero-lero de agradecimento, revi muito do que realizamos juntos a partir dos anos de 1990. Digo que me senti um cidadão moderno, apesar da minha vasta incompetência digital.
Na semana passada recebemos filho do meio e nora que aniversariava, que vieram de São Paulo para ajudar a animar as comemorações de uma década de casados de Rodrigo e Ivana Larica lá na Curva da Jurema, com muitos comes e bebes e ao som de um tremendo DJ que me fez lembrar de Jairo Maia e suas “eletrolas mágicas” comandando as festas nos clubes da cidade de antigamente.
No início da semana, recebemos a visita de Alex “Pirata”, uma pessoa muito especial, que vive na Europa faz um bom tempo, que já namorou filha nossa e que nos tem em alta conta. Foram dois dias de muita conversa sobre o que aconteceu e o que deixou de acontecer e sobre os planos para aproveitar o que sabe fazer de bom e bonito. O fato de ter consolidado a incorporação de mais um agregado, por livre e espontânea vontade das partes, é animador pra nós, que temos alguns sob as asas e muitos ao lado.
Como se sabe, vivo cortando bambu em busca de uma colher qualquer. Pois bem, no ano passado fui ao Teatro da Ufes assistir a uma apresentação de “Sagração”, um maravilhoso e instigante espetáculo de dança, da coreógrafa Débora Colker, de quem sou fã de carteirinha.
Em cena, uns 20 bailarinos se movimentando sem parar, sempre empunhando varas de bambu de uns 4 metros e diâmetro de poucos centímetros. Na saída, procurei uma pessoa da produção e pedi que me arranjasse um pedaço daqueles bambus. Ela achou curioso e prometeu tentar conseguir.
Sagração, novo espetáculo de Deborah Colker, será apresentado em Vitória
Sagração,  espetáculo de Deborah Colker  Crédito: Divulgação
Pois bem, no meio desta semana fomos ver a exposição de meu amigo Vilar lá no Palácio Anchieta, como ele bem merece. Estava apinhado de gente conhecida que não via faz muito. De repente, uma moça agitada olha pra mim e exclama algo como “Você é o homem do bambuuuu???” Como era de se esperar, respondi, sem pestanejar, que eu realmente gostava muito de bambu. Ela fez a melhor cara deste mundo e disse que tinha conseguido bambus com o pessoal do balé e que não sabia como me entregar. Combinamos de buscar meus bambus na próxima semana. Pretendo fazer uma colher pra Taty, esse é o nome dela, com aquele bambu cênico.
Pra finalizar, a título de comprovação de que nem tudo é só alegria na minha vida, informo para os devidos fins que a manhã de ontem foi inteiramente consumida pela busca de Amora pelas ruas do bairro. A danada evadiu-se sem ao menos avisar e foi pousar no alto de um pé de cajá, lugar praticamente inacessível para quase todos.
Após pedidos de socorro ao Corpo de Bombeiros e à Polícia Ambiental, coube a Nélio, meu genro mais forte e corajoso, escalar o tronco, chegar nas grimpas, sempre sob expressões de “cuidado, segura firme”, corromper a fujona com queijo branco e, malandramente, envolvê-la com uma toalha de mesa e colocá-la num enorme saco, agora sob palmas dos presentes. Ela vai ficar calma e reclusa no viveiro, sob meus olhares pela janela da cozinha.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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