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Crônica

Dá gosto de ver os nadadores em mar aberto de Vitória

Para um ex-nadador, que treinava braçadas e batidas de pé na piscina do saudoso Praia Tênis Clube, impressiona a quantidade de homens e mulheres de meia idade praticando natação no mar, por todo lado

Públicado em 

07 fev 2025 às 02:30
Alvaro Abreu

Colunista

Alvaro Abreu

Acordei com o sol, tomei os remédios pra tireoide e pro coração, arrumei a mesa pra dois, cortei mamão, coloquei bananas da terra descascadas no microondas, dei as pontas delas pra Amora, passei o café já enchendo minha xícara. Limpei minha bancada, lasquei uma tira comprida de bambu fino e entalhei o que seria uma colher pra canhoto.
Coloquei meu calção ainda novo, vesti camiseta fresca, apanhei o chapéu de aba larga, calcei minhas havaianas, apanhei a faquinha de lâmina curva que Gustavo Vilar fez pra mim e desci pra praia, com Carol ao meu lado, animadíssima.
É que a manhã daquela quarta-feira estava perfeita para quem prefere luz matinal de sol ainda baixo, vento terral soprando moderadamente, mar liso com água cristalina, passarinho ciscando na areia já varrida pelos garis. Sem qualquer constrangimento, gosto de pensar e dizer que aquele lugar é o meu ateliê de luxo, meu lugar preferido para trabalhar, cuidar da saúde e pensar na vida.
Notei que já tinha muita movimentação no mar de entre ilhas, com gente remando pranchas, canoas havaianas de diferentes tamanhos e vários nadadores solitários rebocando bóias coloridas. Trata-se de um recurso multifunção, recém-inventado para guardar celular e chave de carro, para servir como flutuador em emergência e para facilitar a localização dos seus usuários por quem esteja em terra ou navegando em lancha e jet ski.
No meu tempo de rapaz frequentador da praia do Barracão (em cujas areias foram construídos os edifícios San Thomas e Paulo VI), eu era praticamente o único que arriscava nadar até a Ilha das Andorinhas e, umas poucas vezes, até a Ilha do Boi. Era uma proeza que servia pra impressionar as morenas, mas nadar de volta era sempre no sacrifício e com alguma preocupação.
Na verdade, naquela época - estou falando dos anos 60 - não existiam academias de ginástica. Quando muito aulas de judô, em sala improvisada. Eram pouquíssimas as pessoas que se exercitavam de forma sistemática, a não ser um ou outro halterofilista. Que me lembre, só mesmo remadores dos clubes Saldanha, Álvares e Náutico treinavam diariamente, no comecinho das manhãs, nas águas espelhadas da Baía de Vitória.
Para um ex-nadador, que treinava braçadas e batidas de pé na piscina do saudoso Praia Tênis Clube, impressiona a quantidade de homens e mulheres de meia idade praticando natação no mar, por todo lado.
Ali na praia da Esquerda, umas vinte pessoas, nadavam sob orientações e estímulos de um simpático treinador a bordo de uma prancha. Uns poucos demonstravam dificuldades em acompanhar o ritmo, mas acreditando que conseguirão vencer suas limitações físicas e psicológicas. A sensação que tenho, ao passar por eles nas idas e nas voltas, é a de que todos darão conta do recado.
Nadadores na região da Ilha do Frade, em Vitória. Natação
Nadadores em mar aberto na região da Ilha do Frade Crédito: Fernando Madeira
Terminadas as atividades na água, dá gosto de ver a interação entre aquelas pessoas molhadas e alegres, formando um grupo de colegas de propósito e de disposição. Vistos de longe, dá pra imaginar que comentam o que fizeram e o que não conseguiram fazer dentro d'água, naquele dia e nos anteriores.
Dores e cansaços relatados por alguém devem gerar solidariedade honesta por parte de quem tenha passado pelo mesmo perrengue nas primeiras vezes que entrou no mar. Os que se destacam pela velocidade na água e pelo preparo físico certamente servem de referência e estímulo aos principiantes.
Nessa manhã, como volta e meia acontece, aquelas pessoas que nadaram em busca de saúde e de satisfação se juntaram para tirar fotos na areia, todas ainda em roupa de banho, com o melhor dos sorrisos, fazendo gestos de vitória.

Alvaro Abreu

É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

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