Formamos uma família numerosa, incluindo pai e mãe, cinco filhos, uma nora, dois genros e oito netos. Algo raro nos dias de hoje.
No fim do ano, nosso pessoal que mora em São Paulo veio passar as festas aqui, em função da regra de alternância de local dos festejos, para agradar gregos e troianos. No ano passado, os que vivemos em Vitória fomos passar o Natal em Cotia, pertinho da capital, onde mora Bento e sua turma.
Com o preço das passagens aéreas nas alturas, o ônibus leito foi a opção adotada pela família de Manaira. Fui buscá-los cedinho na Praça do Papa e as caras de felicidade de quem está chegando de férias superaram com folga as marcas de uma noite mal dormida.
Bebel veio de avião, com passagem comprada preventivamente, há muitos meses. Veio trazendo duas malas, abarrotadas de presentes.
Bento, com mulher, três filhos, violão e bagagem farta, veio dirigindo o carro de uma grande amiga que resolveu voltar a morar aqui em Vitória, depois de mais de uns 10 anos vivendo em Joinville e São Paulo. Na verdade, sua decisão é fruto de um longo processo de reflexão em família, em busca de alternativas para aglutinar novamente o que deveria ser entendido como uma espécie de clã dos Albuquerque, composto por mãe, pai, 4 filhos e 7 netos.
Antes dela, já tinha chegado de volta sua irmã caçula, que vivia no noroeste dos USA havia uns 8 anos, trazendo marido americano e duas crianças ainda pequenas. Seu único irmão já tinha optado, faz tempo, por voltar a morar em Vitória, que considera um lugar muito bom pra criar seus dois filhos e pra trabalhar no que gosta.
Em breve, será a vez do retorno dos meus queridos amigos Fred e Fátima, os pais, para se instalarem em apartamento de frente para o mar, como bem merecem, depois de anos vivendo no lugar de origem dos antepassados dela, no interior de Minas Gerais.
A outra irmã, por fortes razões profissionais, ficará na paulicéia por mais um tempo, certa de que estará sempre aqui, para aproveitar a furuba familiar, algo que valoriza de montão.
Da minha parte, confesso que fiquei com uma certa inveja mansa desse movimento de reaglutinação familiar. Digo isso sem o menor constrangimento e mais do que sabendo da quase impossibilidade de que isso possa vir a acontecer com o nosso pessoal.
Tendo vivido 17 anos fora de Vitória, bem me lembro da felicidade de mamãe e de meus irmãos e parentes quando chegamos de volta em julho de 1987, trazendo uma penca de filhos. Logo depois, em outubro, na festa dos meus 40 anos, foi a vez de confirmar muitas das amizades que havia deixado aqui. Como conhecia poucas pessoas na cidade, Carol precisou de um tempo pra criar sua própria turma. Carioca, depois de mais de 53 anos afastada do Rio de Janeiro, ela se considera uma autêntica “carixaba”.
Como já disse aqui, o nosso pessoal adora festa e tem grande disposição para fazer o que precisar para que tudo aconteça da melhor maneira, dentro dos conformes. Pois dessa vez, inventaram de alugar um sítio nas redondezas de Parajú para os tempos natalinos. Meio que na sorte, acreditando na palavra dos donos e nas fotografias da internet, conseguimos passar 5 dias comendo, bebendo, cozinhando, fazendo churrasco, enfeitando, jogando sinuca, bocha, totó, baralho e futebol, conversando dentro e fora da piscina, assistindo filmes na parede, fazendo colher, tocando, batucando e cantando, brincando com os cachorros que levamos, fotografando e filmando com celular e drone, lavando panelas, louças e talheres de montão, abraçando com mãos cobertas de tinta para imprimir nas camisetas dos “Frota de Abreu” e tudo o mais que se faz necessário e prazeroso.
A passagem do ano, como convidados de amigos queridos, foi em clube à beira-mar, com música de dj com som tipo “bate-estaca” e conjunto de “covers” de rock. Tudo com os olhos bem abertos e aparelhos auditivos desligados.