Depois de uns 20 dias vivendo em ritmo de férias de família completa e animada, com passeio nas montanhas, menino pra todo lado, entra e sai de amigos da vizinhança, comedoria sem fim, bate-bocas eventuais, show de nossa norinha em Camburi e festas de aniversário de filho e neto, aceitar um convite irrecusável para passar uns dias em Porto Alegre se mostrou decisão estratégica, pelo tanto de bom que traria para um casamento que dura mais de 52 anos.
O convite era para participar de um evento de planejamento das atividades de 2025 organizado pela NEO, empresa gaúcha que vi nascer, crescer e que começa a ganhar o mundo, literalmente. Digo isso com um certo orgulho, por ver nela um dos resultados do que andamos fazendo na TECMARAN, aqui em Vitória, em favor do fortalecimento da engenharia de produção no Brasil, recurso indispensável para aprimorar o gerenciamento de indústrias e unidades de serviço.
No encerramento dos trabalhos, instigado pelos amigos, contei trechos dessa história improvável e quase inacreditável, provocando emoções em seus criadores e nuns tantos colaboradores. No sábado, passamos a tarde inteira em festa, num sítio com umas 60 pessoas, comemorando o que haviam conseguido de bom e relevante em 2024 e meio que em preparação para encarar o que vai vir pela frente.
Voltei pro hotel com a impressão de que tudo aquilo era a base de um futuro conglomerado de pessoas, competências, disposições e desafios a serviço do aprimoramento dos métodos, sistemas e conceitos para gerenciar a produção, de olho na melhoria dos resultados das empresas.
Como se não bastasse, foi possível rever Porto Alegre, cidade que visitei muitas vezes e por diferentes motivos: de passagem com colegas da engenharia da Ufes a caminho de Bariloche, em dois fuscas e uma kombi alugada de última hora; para ir a Santa Maria, Pelotas e Rio Grande a serviço do Ministério da Educação e do CNPq. Em 1996, estive lá para debater, durante uma manhã inteira, com dirigentes do Hospital Mãe de Deus, sobre as emoções que senti como paciente cardiológico, relatadas no meu livro Crônica do meu Primeiro Infarto.
A capital gaúcha estava praticamente deserta, com trânsito muito tranquilo. Como acontece todos os anos, muita gente fugiu para as praias, alternativa para escapar do calorão do verão. Um motorista de táxi nos contou que sua filha foi pra beira do mar, mas não conseguiu lugar na areia pra armar sua barraca.
Vista de um terraço no alto do Centro Cultural Mário Quintana, antigo Hotel Magestic, a linha plana do horizonte, a perder de vista, me fez pensar na quantidade de água que precisou ser acumulada ali para transformar tudo num lago imenso, incluindo a parte baixa da cidade inteirinha. Impressiona constatar as marcas do nível das águas barrentas, impressas nas paredes das construções.
Cachoeirense que sou, parei pra pensar nas enchentes do rio Itapemirim, que tantos impactos provocam para quem vive em suas margens. Imagino que sua calha tenha uns 80 metros de largura e uns 6 de profundidade, o que demanda um grande volume de água para atingir as ruas de um lado e de outro, por alguns poucos dias. No Rio Grande do Sul foi um volume colossal de água, que lá ficou por muitas semanas. Conversamos com vários gaúchos sobre a enchentes, todos impactados.
De quebra, pude conhecer pessoalmente um xará que resolveu fazer colheres durante a pandemia, depois de me achar na internet. Curioso e interessado, trocamos mensagens sobre ferramentas, métodos de trabalho e sobre o livro que eu estava escrevendo sobre o assunto. Nossa conversa foi super animada. Entreguei as duas colheres que fiz pra ele e vim trazendo uma que ele tinha feito pra mim.
Como nem tudo são flores, em plena segunda-feira, já em casa, foi a vez de assistir a Trump confirmar suas convicções, decisões, diretrizes e providências imediatas, lendo uma espécie de roteiro de uma tragédia anunciada.