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Comportamento

Mulher de fases

Como pode ser libertador para uma mulher entender que não é instável só por ser mutável, e que há potencial em cada uma dessas mudanças e fases

Publicado em 07 de Dezembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

07 dez 2020 às 05:00
Adrieli Borsoe

Colunista

Adrieli Borsoe

Mulher é Yin Yang
A observação da natureza mostra que o que ocorre fora do corpo se repete internamente na mulher Crédito: Shutterstock
Há, dentro de cada mulher, pelo menos quatro mulheres diferentes num mesmo mês. Tendo uma natureza cíclica, assim como se observam as fases da lua ou as estações do ano, o existir feminino está envolto mês a mês por mudanças de vigor, movimento interior, emoções e qualidades. E não há nada de errado nisso.
Muitas mulheres foram culturalmente condicionadas a acreditar que a menstruação perturba a vida e precisa ser controlada e escondida. Somos treinadas a sempre estar iguais, dispostas, racionais, carinhosas e boas executoras. Em resposta a um aumento nas irregularidades menstruais, fica a conscientização de como essa mentalidade pode levar à dissociação de nosso corpo em conexão com nosso biorritmo. Existe uma bússola interna e é muito importante segui-la. Como pode ser libertador para uma mulher entender que não é instável só por ser mutável, e que há potencial em cada uma dessas mudanças e fases.
O acolhimento desta multiplicidade de qualidades que se ciclam é muito organicamente abordado pela medicina tradicional chinesa. E a observação da natureza mostra que o que ocorre fora do corpo se repete internamente na mulher. Há toda uma filosofia taoísta de completude ao se observar a presença do yin e do yang em tudo a nossa volta. O Yin é a noite, o frio, o recolhimento, o feminino, o passivo. O Yang é percebido no dia, no calor, no movimento, é o masculino e o ativo. O ciclo feminino é capaz de transformar-se de Yin em Yang, respeitando esta dualidade ao longo do mês.
Na fase menstrual, observamos um crescimento do Yin, uma vez que os folículos estão se desenvolvendo. Percebe-se a necessidade de recolhimento devido à queda de estrogênio e, nesta fase, recomendam-se escalda-pés, compressas mornas no abdome e chás com tanchagem e anis estrelado, com finalidade de aquecer e acalmar. É importante respeitar o recolhimento que o corpo passa nessa subida do Yin e evitar atividade física intensa.
Dias depois, na fase pré-ovulatória, chagamos ao pico máximo do Yin e início da sua descida, dando espaço ao Yang e ao movimento, marcado aqui pelo aumento nos níveis de estrogênio. Nesta fase folicular em que chegamos ao apogeu do Yin, é possível aproveitar para realizar atividades que exigem boa concentração e foco, e isso pode ser potencializado pelo uso do manjericão na alimentação em geral.
Na fase de ovulação, o crescimento do Yang se torna mais expressivo, é necessário seu movimento e força para romper o folículo e expulsar o óvulo do ovário. Nesta fase há muito estrogênio e testosterona e sua temperatura corporal se eleva, lembrando que Yang é calor. Para aproveitar esta fase e garantir a saúde do útero, chás de canela e camomila serão uteis.
Após isso, na fase lútea, o Yang atingindo sua atividade máxima, percebemos um aumento importante na progesterona, visando manter uma possível gestação. Para este momento, o corpo deve estar mais forte e para diminuir o inchaço, as atividades físicas somadas ao uso de alecrim e cúrcuma na alimentação podem ajudar.
Seguindo neste fluxo cíclico, como não houve a fertilização, observamos na fase pré-menstrual o Yang começando a cair, dando mais espaço ao Yin novamente. A conhecida TPM é marcada pela queda na progesterona e no estrogênio, e percebemos a força do recolhimento Yin voltando. Para diminuir os níveis de estresse e aquecer o útero, recomenda-se o uso de chá de Mulungu e aromaterapia com lavanda.
Para o bom funcionamento das particularidades fisiológicas da mulher (menstruação, gravidez, parto e lactação) deve haver abundância de energia, uma boa circulação nos vasos sanguíneos e um bom funcionamento dos órgãos. Em nossa sociedade ocidental, as mulheres estão vivendo rotinas cada vez mais Yang: excesso de trabalho, atividades, tarefas e responsabilidades, gerando desgaste na atividade Yin do corpo e da psique da mulher e trazendo problemas relacionados à fertilidade, à amamentação, ao parto e à menopausa.
É importante lembrar que todas as recomendações para cada fase do ciclo feminino devem ser acompanhadas por um profissional que domine o conhecimento sobre as prescrições e respeite a individualidade de cada mulher. Os tratamentos envolvem acupuntura, fitoterapia, dietoterapia chinesa e orientações sobre hábitos de vida. Trata-se de um apoio profissional para a leitura da bússola interna feminina e todo o autoconhecimento, sensação de pertencimento e aceitação na sociedade.
"A cura do Yin é nada mais que deixar o tempo e o espaço entrarem em nossas vidas, sem que precisemos preenchê-los. O Yin é o vazio, o vazio é o útero, é no útero que a nova vida pode surgir. Nada de novo surge onde já está tudo ocupado"
Helena Campligia - Domínio do Yin

Adrieli Borsoe

É Fisioterapeuta, acupunturista e especialista em avaliação e tratamento de dor crônica pela USP. Entende a saúde como um estado de equilíbrio para lidar com as adversidades da vida de forma mais harmônica

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