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Petróleo: fusão de Enauta e 3R interessa muito ao Espírito Santo

Com a união, o ganho direto em sinergia é estimado em US$ 1,5 bilhão (R$ 7,5 bilhões). As duas companhias possuem campos de produção no mar capixaba

Publicado em 11 de Abril de 2024 às 03:50

Públicado em 

11 abr 2024 às 03:50
Abdo Filho

Colunista

Abdo Filho

Plataforma no campo de Peroá, na Bacia do Espírito Santo
Plataforma no campo de Peroá, na Bacia do Espírito Santo Crédito: Divulgação/ES Gás
Aos poucos as chamadas junior oils estão ganhando relevância no mercado de petróleo e gás do Brasil. Duas dessas empresas, 3R e Enauta, que cresceram na última década comprando ativos vendidos por gigantes do setor, destacadamente a Petrobras, estão em vias de fechar um acordo de fusão. Como nesta indústria nada é pequeno, os impactos do provável negócio terão relevância considerável. Com a união, o ganho direto em sinergia é estimado em US$ 1,5 bilhão (R$ 7,5 bilhões). As duas companhias possuem campos de produção no mar do Espírito Santo.
Na visão de executivos e empresários do setor ouvidos pela coluna, trata-se de uma boa notícia para o Estado, afinal, amplia as possibilidades de uma expansão mais forte e perene. Fundada em 2014, a 3R Petroleum é dona e operadora do Polo Peroá, produtor de gás natural no Litoral Norte do Espírito Santo. A Enauta, por sua vez, comprou, em dezembro passado, por US$ 150 milhões (R$ 757,5 milhões), 23% do Parque das Conchas, no Litoral Sul do Estado. Operado pela Shell, a produção média do complexo é de 35 mil barris de óleo por dia e o objetivo é crescer.
"A indústria do petróleo tem uma operação muito cara, portanto, ganhos de sinergia e eficiência, além de uma estrutura saudável de capital, são fundamentais para que as empresas consigam investir e ampliar a sua produção. Creio que esta consolidação é uma boa notícia para o Espírito Santo. Tudo dando certo, sairá daí uma empresa com muito mais capital e eficiente para conseguir enfrentar os desafios que a indústria do óleo e gás impõe", argumentou um experiente executivo do setor.    
Somadas, 3R e Enauta têm, hoje, uma produção diária de 86 mil barris, com perspectiva de chegar a 120 mil por dia até 2025. A Prio, que é a maior junior oil do Brasil, produz 88 mil barris por dia.
Diante de uma indústria que mudou muito de configuração nos últimos dez anos, com a entrada de empresas de menor porte, os especialistas estão enxergando, daqui para frente, uma onda de consolidação no país e também aqui no Espírito Santo, principalmente nos blocos em terra, na região Norte. Até meados da década passada, a Petrobras operava todos os campos on shore do Estado. Hoje, todos eles são de operadores privados.  

Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.

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