O ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participaram, nesta sexta-feira (24), da Expert XP, em São Paulo, um dos maiores eventos do mercado financeiro do país. A grande pergunta entre os milhares de espectadores que acompanharam as duas falas (feitas em momentos distintos) era: para onde vai a taxa de juros? Durigan abordou a política fiscal e Galípolo a monetária. O presidente do BC, sem entrar em muitos detalhes, como pede o cargo, jogou água fria na plateia.
“O mercado de trabalho está resiliente e a inflação, olhando para frente, também. O patamar mais restritivo (das taxas de juros) deve se manter por mais um tempo. O cenário demanda taxas mais restritivas”, fulminou.
O Brasil, que tem as mais altas taxas de juros do mundo de maneira crônica, começou o ano com um cenário de Selic a 15% ao ano e inflação rodando em 4% ao ano. A expectativa era de taxa de juros em 12% ao ano no final de 2026. Entretanto, a guerra no Oriente Médio, iniciada em fevereiro, deu um choque no petróleo e bagunçou o cenário. Agora, a previsão do mercado financeiro para a inflação foi para 5,15%, ao final de 2026, e para Selic foi a 14%. No momento, a Selic está em 14,25%.
“Estamos acompanhando os rumos do petróleo diariamente. O Brasil virou grande exportador, vem se comportando bem no contexto. Também estamos acompanhando os estudos sobre El Niño. O histórico mostra anos de El Niño com queda de produção na agropecuária e anos com elevação. Vamos aguardar”, ponderou Galípolo.
O ministro da Fazenda, por sua vez, falou mais. Cobrado por uma política fiscal mais sóbria por parte do governo federal e por uma trajetória de dívida pública mais racional, ele afirmou também se incomodar com o tamanho das taxas atuais de juros cobradas no Brasil. “O juro (alto) me incomoda. Temos de fazer os esforços necessários para que caiam. O compromisso é fazer a economia andar, com menos desigualdade, mais oportunidades, boa educação e boa saúde. Para isso, é fundamental o compromisso fiscal. É parte central da estratégia. É a pedra de toque para o país ficar forte, com mecanismos de resposta e entregas”.
Durigan assumiu o lugar de Fernando Haddad, em março, e ficará até o final do terceiro mandato de Lula na presidência da República. “Não sei quem vai ganhar a eleição e se ficarei caso o presidente vença. Estou me doando ao máximo neste mandato. Mandaremos um Orçamento com superávit de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto), mas queremos mais. Os números do petróleo têm vindo bons. Este governo fez um ajuste estrutural e a meta é seguir melhorando o fiscal, custe o que custar”. Caso esteja na cadeira de ministro da Fazenda, em 2027, deu dicas do que pretende propor. “Frear a expansão do gasto obrigatório e aumentar o espaço do discricionário”.
O ministro ainda pediu apoio aos demais poderes e deu uma bela alfinetada na alta cúpula do Judiciário. “Trabalho junto com Legislativo e Judiciário em cima do aumento de gastos das chamadas pautas-bomba. Tem que olhar para tudo. Acho inadmissível um membro do Judiciário recebendo R$ 400 mil por mês e o país com juros tão elevados”.
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