A disparada nos preços do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, deflagrada, no final de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, fizeram os mais diversos insumos básicos feitos a partir do petróleo e que servem de matéria-prima para variados segmentos da indústria subirem violentamente de preço. Os impactos já se fazem sentir no Espírito Santo e, caso o conflito não acabe o quanto antes, a coisa tende a piorar. Muito se fala dos impactos nos preços dos combustíveis, mas o peso do petróleo vai bem além disso.
Um dos segmentos que já está sofrendo é a indústria do plástico, cuja principal matéria-prima é o nafta, um subproduto do refino de petróleo que depois vira polietileno, polipropileno, PVC e outros. "São várias as situações acontecendo ao mesmo tempo, todas com forte impacto no preço final. O valor dos insumos está subindo com força lá na origem, o frete está mais caro e há casos de falta de produto. Tudo isso pressiona a cadeia. O Oriente Médio é o grande fornecedor de petróleo para a Ásia, que produz pouco, mas demanda muito. A guerra bagunçou isso tudo. Vejo um cenário de encarecimento e, pior, de escassez", explicou Leo de Castro, ex-presidente da Findes, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria e CEO da Fibrasa, uma das maiores fabricantes de embalagens plásticas do Brasil.
"O nafta, mesmo mais caro, não está chegando ao Brasil no volume adequado para ser transformado. A oferta está caindo, em todo o mundo, de maneira muito rápida e os preços, por sua vez, estão disparando. Do começo da guerra até 23 de março, as resinas plásticas subiram 46% na Ásia, 50,3% nos Estados Unidos e 61% na Europa. É algo brutal. A indústria do plástico fornece para quase todo mundo, portanto, esses aumentos irão se espalhar pela economia de maneira bem ampla. Isso tende a piorar caso a guerra não seja estancada e, mesmo que acabe hoje, vai demorar uns 120 dias para restabelecer a normalidade. No melhor dos cenários, teremos um ano completamente impactado pelo conflito no Oriente Médio", assinalou Castro.
O setor de rochas, que movimenta mais de R$ 15 bilhões por ano no Espírito Santo, é um dos impactados. As fábricas usam muita resina na produção das chapas. "Na comparação com o início de fevereiro, o encarecimento da resina epóxi que vem da China é de 50%. E está mudando diariamente. Além de tudo, tem muita especulação. Trabalhamos inclusive com a possibilidade de faltar. A maior parte das fábricas tem estoque, mas uma hora acaba. É um cenário que se mostra bastante complicado", afirmou Felipe Mota, gerente Comercial da Geofin América, grupo italiano que é um dos maiores vendedores de resina para a indústria de rocha do Brasil.
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