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Geopolítica

Guerra aumenta custos e indústria do Espírito Santo já sofre

Conflito deflagrado por Estados Unidos e Israel no Irã impacta todo o Oriente Médio, que é um enorme produtor de petróleo, matéria-prima para diversos produtos

Publicado em 27 de Março de 2026 às 03:01

Públicado em 

27 mar 2026 às 03:01
Abdo Filho

Colunista

Abdo Filho Abdo Filho
Estado se consolidou como principal polo exportador de rochas naturais
Resina sendo aplicada em uma chapa de granito em fábrica do Espírito Santo Crédito: Divulgação/Centrorochas
A disparada nos preços do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, deflagrada, no final de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, fizeram os mais diversos insumos básicos feitos a partir do petróleo e que servem de matéria-prima para variados segmentos da indústria subirem violentamente de preço. Os impactos já se fazem sentir no Espírito Santo e, caso o conflito não acabe o quanto antes, a coisa tende a piorar. Muito se fala dos impactos nos preços dos combustíveis, mas o peso do petróleo vai bem além disso.
Um dos segmentos que já está sofrendo é a indústria do plástico, cuja principal matéria-prima é o nafta, um subproduto do refino de petróleo que depois vira polietileno, polipropileno, PVC e outros. "São várias as situações acontecendo ao mesmo tempo, todas com forte impacto no preço final. O valor dos insumos está subindo com força lá na origem, o frete está mais caro e há casos de falta de produto. Tudo isso pressiona a cadeia. O Oriente Médio é o grande fornecedor de petróleo para a Ásia, que produz pouco, mas demanda muito. A guerra bagunçou isso tudo. Vejo um cenário de encarecimento e, pior, de escassez", explicou Leo de Castro, ex-presidente da Findes, vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria e CEO da Fibrasa, uma das maiores fabricantes de embalagens plásticas do Brasil.
"O nafta, mesmo mais caro, não está chegando ao Brasil no volume adequado para ser transformado. A oferta está caindo, em todo o mundo, de maneira muito rápida e os preços, por sua vez, estão disparando. Do começo da guerra até 23 de março, as resinas plásticas subiram 46% na Ásia, 50,3% nos Estados Unidos e 61% na Europa. É algo brutal. A indústria do plástico fornece para quase todo mundo, portanto, esses aumentos irão se espalhar pela economia de maneira bem ampla. Isso tende a piorar caso a guerra não seja estancada e, mesmo que acabe hoje, vai demorar uns 120 dias para restabelecer a normalidade. No melhor dos cenários, teremos um ano completamente impactado pelo conflito no Oriente Médio", assinalou Castro.
O setor de rochas, que movimenta mais de R$ 15 bilhões por ano no Espírito Santo, é um dos impactados. As fábricas usam muita resina na produção das chapas. "Na comparação com o início de fevereiro, o encarecimento da resina epóxi que vem da China é de 50%. E está mudando diariamente. Além de tudo, tem muita especulação. Trabalhamos inclusive com a possibilidade de faltar. A maior parte das fábricas tem estoque, mas uma hora acaba. É um cenário que se mostra bastante complicado", afirmou Felipe Mota, gerente Comercial da Geofin América, grupo italiano que é um dos maiores vendedores de resina para a indústria de rocha do Brasil.

Abdo Filho

Abdo Filho Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.

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