Quando a gente fala de habilidade sócio-comportamentais o espectro é muito amplo. Eu simplifiquei em oito. Começo pela disciplina, que é a mãe de todas as power skills (competências técnicas e comportamentais). Através da disciplina a gente desenvolve e aprimora todas as demais habilidades. A minha definição de disciplina é fazer aquilo que você tem que fazer da melhor forma possível no tempo que é devido e, principalmente, quando você não está motivado. O irmão gêmeo da disciplina é o foco, a habilidade de distinguir as poucas coisas essenciais das muitas triviais. É um desafio enorme em um mundo com abundância de informação. Precisamos saber falar 'não' para as distrações, é um dos maiores desafios do nosso mundo moderno. A terceira habilidade é a comunicação. Estou falando da comunicação verbal e da não não verbal. Da linguagem corporal e da habilidade da escrita, muito relevante no mundo do WhatsApp, do Slack e do e-mail. A quarta habilidade é a colaboração. Estamos cada vez mais conectados, globalizados, interdependentes, portanto, a coloração é uma habilidade fundamental para pessoas, empreendedores e organizações atingirem seus objetivos. Importante frisar: é muito fácil a gente colaborar com alguém que a gente se dá bem, mas como é que a gente colabora com alguém que a gente não se dá bem? Isso vai acontecer, por isso precisamos ter essa habilidade. A quinta habilidade é a garra. Aqui no Brasil damos pouca atenção à garra. Falamos muito sobre o talento, tendemos a acreditar e a reforçar o talento porque isso nos exime da nossa responsabilidade de colocar esforço para fazer acontecer. A mentalidade de crescimento é outra habilidade relevante. Normalmente as pessoas acreditam que mentalidade de crescimento é sobre uma vontade de crescer, o que todos queremos. Aqui, na minha definição, é no sentido de como lidar com as adversidades. É sobre performarmos ainda melhor quando estamos diante das adversidades que todos vamos ter ao longo da vida, afinal, ela é feita de altos e baixos. Aí entra a capacidade de entender que é preciso desenvolver a capacidade de não se vitimizar e desenvolver uma alternativa para aquilo ali. Outra habilidade relevante é o pensamento crítico, fundamental para todos, mas ainda mais nas posições de liderança. É a capacidade de fazer as melhores perguntas do que ter as melhores respostas. Venho de uma geração que via o líder como aquele profissional que tinha todas as respostas. Hoje, eu sou a primeira a falar 'não sei'. Precisamos fazer as melhores perguntas para estimularmos as melhores respostas. Aí, na posição de líder, com a caneta na mão, você toma a melhor decisão. A última power skill é a empatia. Eu achava que eu sabia o que era empatia, que se tornou uma buzzword (palavra da moda). Confesso que fiquei com um pouco de preguiça do termo, afinal, sempre que temos uma buzzword normalmente ela fica muito superficializada. Quando me aprofundei sobre o tema e vivenciei coisas que nunca tinha vivenciado, como morar por quatro anos nos Estados Unidos sendo responsável pelas vendas para Ásia, Pacífico e América Latina, e comandando um time composto por coreanos, japoneses, chilenos, brasileiros, australianos, mexicanos... enfim, uma diversidade enorme. Diversidade de pensamento, de gênero, de idade. Ali eu entendi. Conhecia só a primeira camada da empatia, se colocando no lugar do outro sem julgamento. Isso é fácil quando todos concordam. A segunda camada da empatia, é não apenas se colocar no lugar do outro, mas compartilhar dos sentimentos do outro. Quantas vezes a gente interage nas nossas relações pessoais com conversas que o outro chega mais agressivo ou com mais raiva? A nossa tendência natural é agir com a mesma emoção ou agressividade. A gente precisa se colocar à disposição para ajudar. Isso é fundamental em uma posição de liderança.