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Cedoc/ Rede Gazeta
Pioneirismo

A cirurgia que marcou a história dos procedimentos cardíacos no ES

A coragem e desenvoltura de uma equipe formada por jovens médicos capixabas salvou a vida de Luiza Rodrigues, que sobreviveu por mais de 15 anos com uma válvula artificial no coração

Larissa Fontes

Residente em Jornalismo

Publicado em 18 de Abril de 2026 às 17:30

Publicado em

18 abr 2026 às 17:30
cirurgia-de-válvula-do-coração
Primeira cirurgia de válvula do coração no Espírito Santo foi realizada em 1971 e recebeu destaque em A Gazeta Crédito: CEDOC/ Rede Gazeta
O dia 16 de janeiro de 1971, a medicina capixaba vivia um marco histórico e que ganhou destaque na capa do jornal A Gazeta. No Hospital Santa Rita de Cássia, em Vitória, a paciente Luiza Rodrigues, de 29 anos, moradora de Porto de Santana, em Cariacica, tornava-se a primeira pessoa no Espírito Santo a receber uma válvula cardíaca artificial.
O procedimento, até então inédito e que salvou a vida dela, foi comandado por uma jovem e determinada equipe de médicos, a maioria de capixabas e liderada pelo cirurgião Schariff Moysés.
Schariff-Moysés
Schariff Moysés e o cirurgião Ronaldo Gomes Serpa ao analisar o boletim médico da paciente Crédito: CEDOC/ Rede Gazeta

Cirurgia história

À frente de uma equipe de oito profissionais, o jovem Schariff Moysés, na época com cerca de 30 anos, deu início ao procedimento que duraria três horas. A cirurgia, incentivada pelo então diretor do hospital e médico oncologista, Afonso Bianco, contou com a participação de recém-formados da Escola de Medicina da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
Doutor-Afonso-Bianco
O oncologista  Afonso Bianco incentivou a equipe médica a realizar a cirurgia cardíaca Crédito: CEDOC/ Rede Gazeta
A válvula utilizada era de tecnologia nacional, e até a instalação do coração artificial do aparelho teve a colaboração de técnicos capixabas. Na época, o procedimento teve um custo próximo a 10 mil cruzeiros, sem incluir o valor destinado à equipe médica.
Ao fim da operação, o clima no hospital era de alívio e expectativa. A resposta positiva veio rápido: Luiza estava consciente e reagia bem. Poucas horas depois, ela já dava os primeiros passos, percorrendo cerca de 50 metros com o coração batendo em um ritmo regular de 86 pulsações por minuto. O boletim médico confirmava que a cirurgia tinha sido um sucesso, embora o cirurgião-chefe mantivesse a cautela, afirmando que apenas o tempo consolidaria o resultado.
Luiza Rodrigues após a cirurgia
Luiza Rodrigues momentos após a cirurgia cardíaca inédita realizada no Estado Crédito: CEDOC/ Rede Gazeta

Evolução

A chamada "troca de válvula" consiste na retirada de uma válvula danificada do coração para substituí-la por uma prótese artificial. A base da técnica se mantém a mesma até hoje, porém os materiais evoluíram, tornando-se mais seguros e duradouros, o que garante maior qualidade de vida aos pacientes.
Luiza Rodrigues sobreviveu por mais 15 anos após o procedimento, falecendo em 1986, vítima de um câncer.

Legado de um pioneiro

Décadas depois, Schariff Moysés relembrou o feito em uma reportagem para a TV Gazeta, sem esconder a emoção. 
Esse foi o dia mais emocionante da minha vida. Nós começamos a cirurgia cardíaca no Espírito Santo e hoje já são milhares de doentes operados
Schariff Moysés - Em entrevista à TV Gazeta
A experiência consolidou nele uma filosofia que se mantém. "O médico tem que olhar nos olhos do paciente. Se ele não cura, precisa aliviar. Se não consegue aliviar, tem que consolar", destacou, ressaltando a importância da humildade e da conexão humana. Para ele, o profissional de saúde precisa, acima de tudo, 'ser especialista em gente'.
A coragem de Luiza e o pioneirismo da equipe do Dr. Schariff Moysés não apenas salvaram uma vida, mas abriram um novo capítulo para a medicina no Estado, permitindo que, desde então, milhares de outros corações pudessem continuar pulsando forte.

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A Capixapédia, de A Gazeta, divulga curiosidades e fatos históricos diretamente relacionados ao Espírito Santo. Conhece algo incomum sobre o Estado? Sugira conteúdos no e-mail [email protected]

Este conteúdo foi escrito por uma aluna do 28° Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta, sob orientação de Murilo Cuzzuol

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