SÃO PAULO - Nem a Casa Branca nem o presidente Donald Trump postaram fotos ou fizeram publicações sobre o encontro do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o mandatário americano no Salão Oval, na terça-feira (26). O silêncio sobre a reunião é atípico.
No ano passado, quando Trump se reuniu no Salão Oval com o então candidato à presidência da Polônia, Karol Nawrocki, a conta da Casa Branca no X postou duas fotos do encontro.
Outros candidatos apoiados por Trump foram tema de publicações na conta do presidente americano na rede social Truth Social.
"O povo de Honduras não pode ser enganado novamente. O único verdadeiro amigo da liberdade em Honduras é Tito Asfura. Tito e eu podemos trabalhar juntos para combater os narcocomunistas e levar a ajuda necessária ao povo de Honduras", postou Trump a uma semana da eleição presidencial em Honduras, em novembro do ano passado.
"Se Tito Asfura vencer a eleição para Presidente de Honduras, porque os Estados Unidos têm muita confiança nele, em suas políticas e no que ele fará pelo grande povo de Honduras, daremos muito apoio. Se ele não vencer, os Estados Unidos não vão jogar dinheiro fora, porque um líder errado só pode trazer resultados catastróficos para um país, não importa qual país seja."
Trump também fez publicações de apoio ao húngaro Viktor Orban antes da eleição parlamentar na Hungria, em abril.
"O dia da eleição é domingo, 12 de abril de 2026. Hungria: SAIAM E VOTEM EM VIKTOR ORBÁN. Ele é um verdadeiro amigo, lutador e VENCEDOR, e tem meu Apoio Completo e Total para a Reeleição como Primeiro-Ministro da Hungria – VIKTOR ORBÁN NUNCA VAI DECEPCIONAR O GRANDE POVO DA HUNGRIA. ESTOU COM ELE ATÉ O FIM!"
Na visão do governo brasileiro, o fato de Flávio ter realizado um encontro rápido – ficou uma hora e 40 minutos na Casa Branca, mas a reunião em si com Trump pode ter durado apenas alguns minutos – e a presidência americana não ter feito nenhuma publicação a respeito pode ser um sinal de que o mandatário americano não quis se indispor com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os dois se reuniram na Casa Branca há três semanas. Após o encontro, Trump fez publicação na Truth Social chamando Lula de "dinâmico" e classificando a reunião de "muito produtiva"
Flávio ainda teria encontros no Departamento de Estado nesta quarta-feira (27), território amigável aos bolsonaristas. Darren Beattie, assessor encarregado da relação com o Brasil, e Ricardo Pita são próximos da família Bolsonaro e grandes defensores da designação do PCC e CV como organizações terroristas, a que o governo Lula se opõe.
O governo brasileiro recebeu sinalizações de que deve sair nos próximos dias o resultado da investigação da Seção 301, que pode resultar em tarifas contra o Brasil. Em seu encontro com Trump, Lula anunciou um grupo de trabalho bilateral pelo período de um mês para discutir o tema.
O representante de comércio da Casa Branca, Jamieson Greer, é outro aliado dos bolsonaristas no governo americano. O governo Lula acredita que Flávio e o deputado Eduardo Bolsonaro podem levantar o assunto das tarifas e fazer pressão por taxação nos encontros que terão na capital americana.
Da última vez em que isso ocorreu, quando Trump baixou um tarifaço contra o Brasil em julho do ano passado, alegando perseguição contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, a popularidade de Lula subiu.