Publicado em 4 de junho de 2020 às 11:27
- Atualizado há 6 anos
O Senado aprovou em sessão virtual nesta quarta-feira (3) alterações na Lei Maria da Penha para definir como essenciais os serviços e as atividades relacionadas às mulheres em situação de violência doméstica ou familiar, em razão do aumento das denúncias e casos durante a pandemia do novo coronavírus. >
O projeto, de autoria da deputada Maria do Rosário (PT-RS), foi aprovado por 74 votos favoráveis e nenhum contrário.>
Como houve alterações feitas pelos senadores, a proposta precisa ser novamente apreciada pela Câmara, que terá a palavra final.>
Após passar pela Câmara, será encaminhada para sanção do presidente Jair Bolsonaro. O texto da matéria foi construído em conjunto com as bancadas femininas da Câmara e do Senado.>
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Relatada pela senadora Rose de Freitas (Podemos-ES), a proposta foi incorporada no Senado a outras duas de temas semelhantes -uma do senador Izalci Lucas (PSDB-DF) e outra do senador Confúcio Moura (MDB-RO).>
O primeiro determinou alterações na Lei Maria da Penha para que atos processuais em causas relativas à violência contra a mulher não sejam suspensos.>
O segundo projeto determina a oferta de residências temporárias para mulheres e crianças em situação de violência doméstica e familiar durante o estado de calamidade.>
A proposta aprovada trata como essenciais os serviços que atendem, além de mulheres, os casos de suspeita ou confirmação de violência praticada contra idosos, crianças ou adolescentes.>
As mudanças valem durante o período do decreto de emergência editado por causa da pandemia causada pelo novo coronavírus, previsto para terminar em 31 de dezembro.>
Como serviços essenciais são considerados a assistência social e o atendimento à população em estado de vulnerabilidade.>
Atividades relacionadas ao atendimento de mulheres em situação de violência doméstica ou familiar e à violência praticada contra idosos, crianças ou adolescentes também entram nesse rol.>
Pessoas com algum tipo de deficiência também foram incluídas como beneficiadas no projeto.>
Dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos apontam que a pasta registrou um aumento de 35% nas denúncias de violência contra a mulher em abril, comparado ao mesmo mês do ano passado.>
As denúncias foram recebidas no Ligue 180 -um dos canais de atendimento da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos. De acordo com a pasta, o aumento está diretamente relacionado à pandemia.>
"Infelizmente, com a pandemia sanitária que vivemos, nós estamos vivendo uma pandemia do aumento da violência contra a mulher, talvez fruto de alguns gatilhos, como o desespero, o desemprego, o alcoolismo. O número de denúncias tem aumentado, mas principalmente o número de feminicídios - matar uma mulher em razão de ser mulher", disse a senadora Simone Tebet (MDB-MS), que é presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.>
O projeto prevê que, durante a pandemia, os órgãos de segurança pública deverão disponibilizar canais de comunicação que garantam interação simultânea, inclusive com possibilidade de compartilhamento de documentos.>
As denúncias de violência feitas por meio dos canais Ligue 180 e Disque 100 devem ser repassadas, com as informações de urgência, para os órgãos competentes, em no máximo 24 horas.>
Ao todo, 54 emendas foram apresentadas ao texto dos três projetos, sendo que a relatora acatou 16. Durante o período da pandemia, também serão aceitas denúncias feitas por meio eletrônico.>
"Cuidamos também de incluir a oferta emergencial de locais de acolhimento para as pessoas que já não podem ficar em seus próprios lares, sob o risco de perderem a vida. E incluímos previsões que facilitam a apresentação, a análise e o andamento de denúncias de crimes contra essa parte da população historicamente vítima de violência", escreveu a relatora.>
De acordo com o projeto, a oitiva da mulher em situação de violência doméstica e familiar será imediata e feita, preferencialmente, e se assim a ofendida desejar, em sua residência.>
Já durante a votação, a relatora acrescentou ainda que o exame de corpo de delito também pode ser feito nestas mesmas condições.>
As medidas protetivas deferidas serão automaticamente prorrogadas durante a pandemia, caso o estado de calamidade se mantenha.>
"Temos de agir com a lei para corrigir essa injustiça que as mulheres vítimas de violência passam todos os dias", disse a relatora.>
Pelo projeto, União, estados e municípios ficam dispensados de realizar licitações para contratos de locação e promover a reforma ou adaptação de imóveis próprios ou de terceiros para conversão em casas-abrigo ou casas de acolhimento. Também será dispensável a licitação para obras, serviços, compras e locações de imóveis.>
A proposta determina ainda que os acusados de violência tenham de ressarcir à Previdência Social e ao Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com a tabela SUS, os custos relativos aos serviços de saúde prestados para o total tratamento das vítimas em situação de violência doméstica e familiar.>
Câncer Ainda nesta quarta, os senadores aprovaram um projeto de lei que obriga os planos de saúde a cobrirem, para acesso domiciliar, a quimioterapia de uso oral para portadores de câncer.>
De autoria do senador Reguffe (Podemos-DF), o projeto foi aprovado com 74 votos favoráveis e nenhum contrário. Agora, será encaminhado para análise da Câmara.>
Pela proposta, os planos de saúde terão de arcar com os custos de quimioterapia oral após o registro dos medicamentos na Anvisa.>
Atualmente, os planos não pagam os custos do tratamento domiciliar, quando o medicamento não está registrado na Agência Nacional de Saúde (ANS).>
Relatado pelo senador Romário (Podemos-RJ), a proposta revoga a regra que condiciona a cobertura dos tratamentos antineoplásicos ambulatoriais e domiciliares de uso oral, os procedimentos radioterápicos para tratamento de câncer e hemoterapia, além dos medicamentos para controle de efeitos adversos e dos adjuvantes da quimioterapia oncológica, à publicação da ANS.>
"Essa medida possibilitará que muitas pessoas não precisem se deslocar de suas casas para os hospitais. Nós estamos falando de um número de quase 50 mil pessoas", disse o relator da proposta.>
De acordo com o autor da proposta, essa é uma forma de desburocratizar o tratamento.>
"Pacientes com câncer não estão tendo o direito de ter o seu tratamento pago pelos planos de saúde porque, simplesmente, os medicamentos já autorizados pela Anvisa levam três anos para ter uma autorização da Agência Nacional de Saúde Suplementar.">
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