Publicado em 9 de julho de 2021 às 16:31
Em meio ao clima de animosidade entre Forças Armadas e o Senado, o relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou nesta sexta-feira (9) que senadores não podem ter medo de "ameaças, de intimidações, de aquarteladas". >
Renan explicou que a comissão vai buscar investigar e apurar fatos relativos às pessoas que cometeram irregularidades, e não instituições.>
"Nós vamos em frente, sem medo e investigando quem precisar ser investigado. Nós não podemos ter medo de arreganhos, de ameaças, de intimidações, de quarteladas. Nós vamos investigar haja o que houver, nada vai nos impedir", afirmou o relator da comissão>
"Nós não vamos investigar instituição militar, longe de nós; nós temos responsabilidade institucional. Agora, nós vamos, sim, investigar o que aconteceu nos porões do Ministério da Saúde. E, na medida em que esses fatos forem sendo conhecidos e essas provas foram sendo apresentadas, nós vamos cobrar a punição dos seus responsáveis, sejam eles civis, sejam eles militares", completou.>
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Em nota, a Comissão Arns também condenou a nota divulgada pelas Forças Armadas e a classificou como um "ataque inaceitável à democracia reconquistada a duras penas pelos brasileiros".>
O documento da comissão, assinada pelo presidente, José Carlos Dias, afirma que militares passaram a assumir cargos em profusão no atual governo e que assim estão submetidos à Constituição e podem ser inquiridos pelas autoridades competentes que investigam atos de improbidade administrativa.>
"O ataque das Forças Armadas à CPI, cuja necessária prorrogação está sendo ameaçada por aliados do Planalto, é um gesto absolutamente incompatível com as funções que lhe foram determinadas pela Constituição. Não contribui para a consolidação das instituições republicanas ou a superação da grave crise que atravessamos, tampouco colabora para um combate efetivo à pandemia e à proteção do direito à vida do povo brasileiro", afirma o texto.>
A nota da Comissão Arns também critica fala do presidente, com "palavreado chulo que o envaidece, enquanto humilha a nação", e sua recusa a responder questionamentos da CPI sobre a gestão da pandemia.>
A fala do relator da comissão é mais um capítulo na crise que teve início na quarta-feira (7) com a divulgação de uma nota assinada pelo ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e os comandantes das três forças. A nota também foi divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).>
Os militares condenaram fala do presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), que havia afirmado que há muitos anos o Brasil "não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do governo".>
O presidente se referia às numerosas referências a militares durante as investigações no âmbito do colegiado. O general e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e seu braço direito, o coronel Elcio Franco, constam em lista de investigados pela comissão.>
Em reação, as Forças Armadas divulgaram nota repudiando as declarações do presidente da CPI.>
"Essa narrativa, afastada dos fatos, atinge as Forças Armadas de forma vil e leviana, tratando-se de uma acusação grave, infundada e, sobretudo, irresponsável", dizem os militares.>
"As Forças Armadas não aceitarão qualquer ataque leviano às instituições que defendem a democracia e a liberdade do povo brasileiro.">
Na tentativa de apaziguar os ânimos, Braga Netto telefonou na quinta-feira (8) para o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG).>
Pacheco depois postou em suas redes sociais a afirmação de que o episódio foi um "mal-entendido" e que o assunto estava "encerrado".>
"Nesta manhã, tive uma conversa com o ministro da Defesa, general Braga Netto. Ressaltamos a importância do diálogo e do respeito mútuo entre as instituições, base do Estado democrático de Direito, que não permite retrocessos.">
Pacheco acrescentou que existe pela parte dos senadores reconhecimento aos valores das Forças Armadas, "inclusive ético e morais" –justamente o tema da crítica de Omar.>
E, em uma frase que foi vista como um recado direito, escreveu que a independência e as prerrogativas parlamentares são os principais valores do Legislativo.>
"O episódio de ontem [quarta-feira], fruto de um mal-entendido sobre a fala do colega senador Omar Aziz, presidente da CPI, já foi suficientemente esclarecido e o assunto está encerrado", completou Pacheco.>
Omar também se manifestou sobre o caso durante a sessão da CPI da Covid nesta quinta-feira (8). Manteve o tom crítico, mas afirmou que não generalizou em seus comentários anteriores e que se referia a personagens específicos.>
"Sempre não misturei as Forças Armadas com alguns que estão a serviço desse governo, tanto é que, quando o general Pazuello esteve aqui, eu o chamo de 'ex-ministro da Saúde'", disse.>
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