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Proteção

Pneumo 20 no SUS: o que você precisa saber sobre a nova vacina

Vacinação nas unidades de saúde é voltada para crianças menores de 5 anos

Publicado em 02 de Julho de 2026 às 17:56

Estadão Conteúdo

Publicado em 

02 jul 2026 às 17:56

A vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) já começou a ser oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Ministério da Saúde, a distribuição das primeiras 514 mil doses foi iniciada e a expectativa é chegar a 6,1 milhões até o fim do ano.


A Pneumo 20 foi incorporada ao SUS em 3 de junho e substituirá gradualmente a Pneumo 10 no calendário vacinal infantil. Segundo o ministério, a expectativa é ampliar a proteção e reduzir hospitalizações, sequelas e mortes associadas às infecções pneumocócicas.


De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica é a maior causa de mortalidade infantil por doença prevenível por vacinas. No Brasil, entre 2023 e 2025, foram registrados 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil mortes. Entre crianças menores de 5 anos, foram 616 casos e 188 óbitos no mesmo período.

Campanha de vacinação deve imunizar crianças de seis meses a quatro anos Marcelo Camargo/Agência Brasil

O que é a Pneumo 20?


A Pneumo 20 protege contra 20 sorotipos do pneumococo (Streptococcus pneumoniae), bactéria que pode causar desde infecções mais comuns, como otite e sinusite, até pneumonia, meningite e sepse.


Segundo Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o número que dá nome à vacina indica justamente a quantidade de sorotipos contemplados. Atualmente, são conhecidos mais de 100 tipos diferentes da bactéria, e a ampliação da cobertura busca aumentar a proteção contra aqueles mais associados às formas graves da doença.


Qual a diferença entre a Pneumo 20 e a Pneumo 10?


A principal diferença está na ampliação da cobertura. Enquanto a Pneumo 10 protege contra dez sorotipos da bactéria, a Pneumo 20 amplia essa proteção para 20.


Para Cunha, a incorporação da nova vacina representa um "avanço importante". "Desde a introdução da vacina Pneumo 10, tivemos a substituição de sorotipos que ela não contemplava, em especial os sorotipos 19A e 3, que são os dois principais causadores de doenças graves causadas pelo pneumococo, especialmente meningite", explica.


Quem poderá receber a Pneumo 20 pelo SUS?


A vacina será oferecida para:


  • crianças menores de 5 anos;
  • indígenas com mais de 5 anos sem histórico de vacinação com vacina pneumocócica conjugada;
  • idosos com 60 anos ou mais acamados e/ou institucionalizados;
  • pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).


Segundo Cunha, pacientes com doenças crônicas ou com o sistema imunológico enfraquecido estão entre os grupos que mais devem se beneficiar da ampliação da proteção.


Como fica o esquema vacinal durante a transição?


Enquanto houver estoque da Pneumo 10, o calendário infantil seguirá o seguinte esquema:


  • uma dose da Pneumo 20 aos 2 meses;
  • uma dose da Pneumo 10 aos 4 meses;
  • uma dose de reforço da Pneumo 20 aos 12 meses.


O reforço deve ser aplicado com intervalo mínimo de 60 dias após a segunda dose. Até a conclusão da transição, as vacinas pneumocócicas 13-valente (VPC13) e 23-valente (VPP23) seguirão sendo usadas em situações específicas. Depois, o esquema vacinal passará a utilizar exclusivamente a Pneumo 20.


Quem já tomou a Pneumo 10 precisa receber a nova vacina?


Depende.


Crianças que iniciaram o esquema vacinal, mas ainda não o concluíram, poderão completar a vacinação com a Pneumo 20 durante o período de transição.


Já aquelas que finalizaram todo o esquema com a Pneumo 10 não receberão uma dose adicional pelo SUS, exceto quando fizerem parte dos grupos atendidos pelo CRIE em razão de alguma condição clínica especial, explica Cunha.


A vacina é segura? Quais são as reações mais comuns?


Sim. Antes de ser incorporada ao SUS, a Pneumo 20 já era utilizada na rede privada e faz parte de uma tecnologia já conhecida na vacinação contra o pneumococo.


"Como qualquer vacina, podem ocorrer eventos adversos. Mas, em geral, são leves e locais", afirma Cunha. Os efeitos mais comuns são dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação, além de febre e mal-estar, que podem ocorrer nos dois ou três primeiros dias após a imunização.

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