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Covid-19

Novo teste sobre coronavírus avalia 16 vezes mais amostras

Com a mesma indicação e o mesmo nível de precisão do exame de biologia molecular, seria uma opção para ampliar a testagem no país

Publicado em 22 de Maio de 2020 às 08:21

Redação de A Gazeta

Publicado em 

22 mai 2020 às 08:21
Testes coronavírus
Testes coronavírus Crédito: Ministério da Saúde
O Hospital Albert Einstein desenvolveu uma técnica para o diagnóstico de coronavírus capaz de analisar até 16 vezes mais amostras por vez em comparação com o mais utilizado atualmente, o RT-PCR. Segundo a instituição, é o primeiro exame de Covid-19 a ser patenteado no mundo que utiliza tecnologia de sequenciamento genético de nova geração, com base na leitura de pequenos fragmentos de DNA para identificar doenças ou mutações genéticas.
Assim como o exame de biologia molecular RT-PCR, o novo teste do Einstein também busca o material genético do vírus nas amostras coletadas e também é indicado para pacientes na fase aguda da doença.
A diferença é que, por meio de técnicas de sequenciamento e da utilização de uma ferramenta de inteligência artificial, o processo de análise do material é automatizado, tornando possível o processamento de 1.536 amostras por ciclo, número 16 vezes maior do que as 96 processadas por vez pela técnica padrão de RT-PCR.
Com a mesma indicação e o mesmo nível de precisão do exame de biologia molecular, seria uma opção para ampliar a testagem no país.
"Em um único processamento, conseguimos analisar 1.536 amostras. Se fôssemos fazer esse mesmo número de análises por meio do RT-PCR, precisaríamos de um parque de equipamentos muito maior", afirma Sidney Klajner, presidente do Einstein.
O único tipo indicado até agora como possibilidade para testagem em massa era o sorológico, que detecta os anticorpos produzidos pelo paciente a partir do contato com o vírus e não o material genético do invasor. Por causa disso, os testes de sorologia só costumam ser indicados pelo menos 10 dias após o início da manifestação da infecção, o que impede seu uso para fins de detecção rápida, isolamento do paciente e monitoramento de contatos. Ele também tem alto índice de resultados falso-negativo.
Segundo Mayana Zatz, diretora do Centro de Pesquisas do Genoma Humano e professora da Universidade de São Paulo (USP), a tecnologia de sequenciamento genético de nova geração já é usada em outras situações para análise de RNA e sua grande vantagem é que, quando associada a alguns equipamentos, aumenta de maneira significativa o volume de amostras processadas.
"Se esse novo teste puder aumentar a capacidade diagnóstica a um custo menor, será extremamente importante para termos uma opção a mais de exame para os pacientes no início da infecção, quando ainda é possível isolar a pessoa e impedir que ela transmita o vírus para mais gente", diz.
João Renato Rebello Pinho, coordenador do Laboratório de Técnicas Especiais do Einstein, diz que a expertise do laboratório da unidade em realizar testes genéticos facilitou o desenvolvimento da técnica. "A gente já tinha estrutura muito grande nesse campo, mas voltada principalmente para testes relacionados a câncer e doenças genéticas. Com a pandemia, caiu a procura por esse tipo de exame e aproveitamos a estrutura para desenvolver a técnica para diagnóstico de doenças virais."

PARCERIA

O teste deve chegar ao mercado com preço menor do que o RT-PCR, que custa R$ 250. A técnica estará disponível para pacientes do hospital em três semanas.
O Einstein diz que não descarta a realização de parcerias com o SUS para ofertar o exame em laboratórios da rede pública.
O processo de coleta é o mesmo do RT-PCR - coleta de secreção e saliva por meio de uma haste flexível - e o resultado sai em até 72 horas. 
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