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Após caso Carlos Bolsonaro

Monitor de robôs online aponta explosão de atividade no Brasil

Americano fundador do Bot Sentinel diz que é a primeira vez que conteúdos não-relacionados aos EUA chegam ao topo de sua lista da atividade mundial de contas falsas

Publicado em 28 de Abril de 2020 às 18:30

Redação de A Gazeta

Publicado em 

28 abr 2020 às 18:30
 Hashtags de apoio ao presidente Jair Bolsonaro ou de ataque àqueles vistos como ameaça pelos bolsonaristas chegaram pela primeira vez ao topo da lista de conteúdos publicados a partir de contas falsas no Twitter.
Bot Sentinel, que monitora atuação de robôs no Twitter
Bot Sentinel, que monitora atuação de robôs no Twitter Crédito: Reprodução/Twitter
A constatação é do Bot Sentinel, uma ferramenta criada em 2018 para monitoramento de publicações surgidas a partir de contas falsas, conhecidas como robôs ou simplesmente bots.
Seu fundador, o americano Christopher Bouzy, 45, disse se tratar da primeira vez que conteúdos não-relacionados aos EUA chegaram ao topo de sua lista da atividade mundial de contas falsas.
"Foi surpreendente notar a ascensão de frases e hashtags ligadas ao Brasil a partir do início de abril", conta Bouzy.
"Até agora, o Bot Sentinel tinha focado em atividades não-autênticas e em hashtags relacionadas aos EUA. Não controlamos o que o algoritmo descobre, portanto, não dissemos a ele que procurasse contas falsas amplificando hashtags e frases do Brasil. O algoritmo as encontrou sozinho."

HASHTAGS DISSEMINADAS POR ROBÔS

#MaiaTemQueSair, #FechadocomBolsonaro e #DerreteMBL foram três das hastags apontadas pelo Bot Sentinel como disseminadas por intensa atividade de robôs.
Carlos Bolsonaro
Carlos Bolsonaro é vereador no Rio de Janeiro, mas está sempre atuando em assuntos que envolvem o governo federal Crédito: Divulgação/Câmara do Rio
A investigação estaria por trás da urgência do presidente em trocar o comando da PF, estopim da crise que levou o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, a pedir demissão do governo.
No próprio sábado (25), o Bot Sentinel colocou no topo das hashtags globais disseminadas por contas falsas o #FechadocomBolsonaro. Na segunda, assumiu a liderança das tags de bots o #MaisTemQueCair, seguida, de #Trump2020 e, em terceiro lugar, de #MaiaVaiCair.
Entre as seis hashtags brasileiras identificadas pelo programa como de mais intensa atividade no Twitter nos últimos dias não está aquela que, por conter um erro de digitação replicado milhares de vezes, levantou suspeitas do uso de robôs entre usuários da rede social: #FechadocomBolsolnaro, com um "L" a mais.
hashtag com um "L" a mais viralizou na segunda (27) mas, segundo nota do Twitter, não foi encontrado "qualquer indicativo de comportamento coordenado inautêntico ou inorgânico relacionado à hashtag mencionada". Segundo a rede social, "não é raro que hashtags com erro de digitação sejam utilizadas repetidas vezes, uma vez que o recurso de autocompletar pode sugerir ao usuário um termo já utilizado anteriormente ainda que esteja escrito de forma equivocada".
Desde que o Brasil entrou no radar do Bot Sentinel, o projeto que vive de pequenas doações de pessoas físicas viu choverem contribuições de brasileiros.

DOAÇÕES "ENGRAÇADAS"

Carluxo B, Jesus na Goiabeira, Flavio Rachadinha B, Gabinete do Ó e Fa-milícia A são alguns dos mais de 60 usuários brasileiros de Twitter que, nas últimas 24 horas, fizeram doações para o projeto.
"Até agora, recebemos doações de aproximadamente 200 brasileiros!", celebra Bouzi. "Acredito que o povo brasileiro esteja farto da ação de contas falsas que está testemunhando e queira apoiar um projeto que ajude a expor a má conduta on-line."
Tamanho interesse tem feito o engenheiro de softwares Bouzi considerar a possibilidade de criar uma versão de seu site em português.
Para ele, ferramentas como a que ajudou a criar, a partir de técnicas de inteligência artificial e machine learning, são "críticas para ajudar as pessoas a distinguirem fatos de ficção, fake de real".
"Contas falsas tem se confirmado como uma grande ameaça a sistemas políticos democráticos porque distorcem a realidade e espalham informações sem lastro em plataformas das mídias sociais", avalia Bouzi, que aprendeu linguagem de programação sozinho a partir dos 9 anos de idade.
"Esse tipo de atividade pode fazer alguém impopular parecer popular, ou, ao contrário, tornar impopular alguém que é popular. Isso abala a opinião pública, influenciando em processos eleitorais."

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