Publicado em 6 de janeiro de 2023 às 16:14
BRASÍLIA - A secretária de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Ethel Maciel, afirmou nesta sexta-feira (6) que atualmente não há doses de vacina contra o coronavírus para atender a faixa etária de 6 meses a 11 anos. De acordo com a secretária, o governo de Jair Bolsonaro (PL), cujo último ministro da Saúde foi Marcelo Queiroga, deixou o grupo desabastecido.>
"A gente recebeu esse ministério com desabastecimento de vacinas pediátricas, infantis. Nós recebemos esse ministério com abastecimento de vacinas adulta, para o público adulto (12 anos ou mais). A gente tem essas duas diferenciações que são importantes estabelecer", disse Ethel em entrevista coletiva na sede do ministério.>
A pasta negocia com a empresa farmacêutica Pfizer para que as doses para o público infantil cheguem até o final deste mês de janeiro. "Fizemos uma reunião agora de manhã com a Pfizer, teremos uma nova reunião à tarde e vamos resolver o problema da entrega. Temos em torno de 4,2 milhões de vacinas que podem ser entregues pela Pfizer para o público de 6 meses até 4 anos. Vamos tentar negociar melhor, mas a previsão é de chegada no final de janeiro", afirmou.>
No mesmo prazo, segundo Ethel, a pasta espera receber doses para a faixa entre 5 e 11 anos. "No público de 5 a 11 anos, também com a empresa Pfizer, nós temos uma previsão de pouco mais de 4 milhões de doses que poderiam ser entregues também e vamos negociar o prazo para ver se conseguimos adiantar.">
>
Em relação ao público de 12 anos ou mais, a secretária do ministério disse que não há falta de doses. No entanto, ela ressaltou que uma grande quantidade de pessoas não tomou as duas doses e menos da metade foi imunizada com a dose de reforço.>
"Estamos recebendo uma cobertura no Brasil bastante preocupante. A cobertura de duas doses não chega a 80%. O esquema das duas doses mais a dose de reforço não chega a 50%. Isso é gravíssimo nesse cenário que se apresenta principalmente de uma nova variante que tem uma alta transmissibilidade", alertou.>
De acordo com Ethel, são mais de 100 milhões de pessoas que não tomaram a terceira dose. "Essas três doses, que nós consideramos como o ideal para maior proteção, temos mais de 100 milhões de pessoas com doses em atraso.">
A secretária também anunciou que uma das primeiras medidas da nova gestão da pasta, que é chefiada por Nísia Trindade, será a revogação do sigilo das reuniões das câmaras técnicas do Ministério da Saúde. "Nós temos que dar transparências às nossas ações, estamos lidando com dinheiro público, é a população que está pagando para a gente fazer tudo isso", afirmou.>
Ethel afirmou ainda que está em avaliação transmitir as reuniões ao vivo. "As reuniões nesse primeiro momento vão ter ata, vão ser disponibilizadas para vocês consultarem. Em um segundo momento, a gente vai avaliar a transmissão dessas câmaras técnicas.">
A secretária ressaltou a importância do Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conassems) no plano nacional de imunização. O discurso contrasta com o tom adotado pelo governo Bolsonaro, que muitas vezes chegava a criticar governadores e prefeitos por adotarem medidas de distanciamento social para prevenir o coronavírus.>
"Nós compreendemos a relação com o Conass e o Conasems, que é uma relação de parceria. Não há relação hierárquica, há relação tripartite, onde os três entes da Federação precisam se comprometer com as ações e estratégias desse governo, que tem a vacinação como seu foco principal e ampliação das coberturas que estão lastimáveis", afirmou.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta