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Equilíbrio fiscal

Lula volta a defender responsabilidade nas contas e diz que será 'fiscal' de entregas do governo

Presidente vem sendo cobrado pelo mercado a indicar diretrizes econômicas de sua nova gestão

Publicado em 06 de Novembro de 2026 às 16:19

Agência FolhaPress

Publicado em 

06 nov 2026 às 16:19
BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a afirmar nesta sexta-feira (6) que tem compromisso com a responsabilidade das contas públicas, num novo aceno ao mercado. O petista também disse que passará a acompanhar pessoalmente as entregas, cobrando o cumprimento dos prazos das ideias a serem implementadas no seu novo governo.
"Quantos países do mundo têm a seriedade fiscal que temos? Pegamos esse governo com déficit de 2,8% e agora estamos entregando o orçamento com superávit. Mas temos consenso de que o pobre não pagará a conta. Nós não levaremos o povo pobre a nenhum sacrifício", disse Lula durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), em Brasília.
Presidente Lula durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética
Lula participou de reunião do Conselho Nacional de Política Energética Ricardo Stuckert/PR
A reunião do conselho aprovou uma resolução que estabelece diretrizes para a redução gradual da dependência de combustíveis fósseis no país.
Ao fim do evento, os ministros detalharam as metas de transição energética e o que foi alcançado no prazo da COP31, conferência climática da ONU que ocorrerá entre 9 e 20 de novembro, na Turquia. Entre os temas tratados, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, comentou que há a intenção de que a regulamentação do Redata seja anunciada na semana seguinte à viagem do presidente ao evento.
Em seu discurso, Lula deu destaque a produções brasileiras de carros híbridos. "Não sei se o carro elétrico ou ônibus elétrico vai ser o que vai predominar. Não sei se temos competência de produzir energia para tudo que precisamos, porque a prioridade é iluminar a casa das pessoas, hospitais e escolas", declarou.
O governo federal enviou em agosto o Projeto de Lei Orçamentária com a previsão de um superávit primário de R$ 18,6 bilhões para 2027. O Orçamento do próximo ano ainda será analisado pelo Congresso.
Lula vem sendo cobrado pelo mercado a indicar as diretrizes econômicas do seu novo governo. O presidente reeleito, porém, tem segurado o nome do seu próximo ministro da Fazenda. Hoje, a pasta é comandada por Dario Durigan, que era secretário-executivo de Fernando Haddad e assumiu o cargo após o petista deixar a Esplanada para concorrer na eleição em São Paulo.
As medidas anunciadas por Lula antes da eleição, como o reajuste do Bolsa Família e o novo programa de renegociação de dívidas, geraram uma má reação no mercado, que fechou em baixa após o petista virar a eleição contra Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
Houve expectativa de que Lula antecipar o nome do seu ministro da Fazenda para acalmar o mercado. Um dos nomes cotados é o do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT). Apesar disso, o presidente decidiu aguardar, principalmente diante de divergências internas do governo e do seu partido.
Na quinta-feira (5), Lula falou em responsabilidade fiscal durante um evento sobre a política nacional para as terras raras. O presidente puxou o assunto ao falar sobre atração de investimentos para o setor.
"Aqui também está dito que se a gente quiser atrair capital, temos que ter seriedade. Ninguém vai colocar dinheiro aqui pelos belos cabelos do Lula ou do [vice-presidente Geraldo] Alckmin. As pessoas vão colocar se perceberem que os investimentos deles vão gerar retorno financeiro. É por isso que precisamos ter responsabilidade jurídica. É por isso que temos que ter responsabilidade fiscal", comentou.
Ainda nesta sexta-feira, Lula indicou uma mudança de postura para o seu quarto mandato. O presidente disse que acompanhará pessoalmente como as decisões do governo serão implementadas e vai cobrar entregas dentro do prazo.
"Além da Casa Civil, o Lulinha vai ser fiscal do cumprimento de cada coisa que a gente aprovar. Aprovou, quero saber data de entrega, quanto tempo, porque o Brasil não pode esperar. Estou com pressa", disse Lula no evento.
O presidente ainda expressou desejo de oferecer um retorno aos eleitores: "Quando vejo aquelas pessoas com dificuldade andando... Hoje eu fui para a esteira, fazer panturrilha, braço, correr 8 km/h. Queria que eles tivessem como eu, mas não estão, não tiveram a mesma sorte que eu tive. Mas quero que eles tenham o prazer de ver que valeu a pena levantar pra votar", disse.
A virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro é atribuída à queda da abstenção entre o primeiro e o segundo turno. Após a derrota na primeira rodada da eleição, o PT apostou na mobilização para tirar eleitores de casa.

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