Publicado em 26 de março de 2026 às 12:45
MILÃO - A Justiça italiana decidiu que a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) pode ser extraditada para o Brasil para cumprir pena de prisão por duas condenações, conforme pede a Justiça brasileira. A decisão da Corte de Apelação de Roma foi comunicada nesta quinta-feira (26).>
A defesa tem 15 dias para recorrer à Corte de Cassação, última instância do Judiciário italiano. Se assim for, a primeira audiência pode ocorrer em cerca de cinco meses. Depois dessa fase, a palavra final caberá ao governo italiano, por meio do Ministério da Justiça. Zambelli se diz vítima de perseguição política no Brasil.>
O julgamento que levou a essa primeira decisão na Itália sobre o caso havia sido concluído em 12 de fevereiro, após uma audiência que durou cerca de sete horas em dois dias.>
O pedido de extradição feito pela Justiça brasileira se refere a duas condenações. Em maio de 2025, a ex-deputada foi condenada a dez anos de prisão pela invasão do sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e pela emissão de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).>
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No início de junho, Zambelli fugiu do país. Passou por Argentina, Estados Unidos e chegou à Itália. Ela, que tem dupla cidadania, disse que no país europeu seria "intocável". Depois de dois meses como foragida, foi detida na periferia de Roma no fim de julho.>
Quando já estava na Itália, a ex-deputada foi condenada a outros cinco anos por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.>
No julgamento, a defesa de Zambelli, comandada pelos irmãos Angelo e Pieremilio Sammarco, concentrou a argumentação contra a extradição na tese da perseguição política da parte de Moraes. As condições carcerárias no Brasil também foram apontadas como fator de risco.>
Moraes indicou que, caso extraditada, ela ficará detida na Colmeia, cárcere de segurança média do Distrito Federal. O tempo de prisão na Itália, que soma quase sete meses, será descontado do restante a ser cumprido no Brasil.>
Tanto o Ministério Público italiano quanto o advogado Alessandro Gentiloni, que representa o Brasil por meio da AGU (Advocacia Geral da União), afirmaram, no julgamento, que existiam todos os requisitos legais para que a extradição fosse concedida.>
O tratado sobre o tema assinado pelos dois países nos anos 1990 estipula que só pode ser extraditada uma pessoa condenada que tenha tido os direitos mínimos de defesa assegurados no país de origem e na ausência de motivos para supor que, depois de extraditada, ela venha a ser submetida a pena ou tratamento que violem direitos fundamentais.>
Segunda deputada federal mais votada no Estado de São Paulo em 2022, com 946 mil votos, Zambelli é um dos principais nomes do bolsonarismo. Depois de ter sido poupada da cassação pelo plenário da Câmara, decisão que depois foi derrubada pelo STF, Zambelli renunciou em dezembro ao mandato.>
Seu caso se soma a outros episódios judiciários entre Brasil e Itália nas últimas décadas, como os de Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Salvatore Cacciola, ex-dono do banco Marka, Cesare Battisti, terrorista italiano que fugiu para o Brasil, e do ex-jogador Robinho, condenado na Itália por estupro.>
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