Publicado em 22 de outubro de 2021 às 19:32
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), afirmou à Folha de S.Paulo que a indicação de André Mendonça para o STF (Supremo Tribunal Federal) pode ser votada no plenário da Casa na segunda quinzena de novembro. >
Indicado há 101 dias pelo presidente Jair Bolsonaro, o nome de Mendonça está travado por decisão do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), que comanda a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), responsável pelas sabatinas e pela elaboração de pareceres sobre indicações para o tribunal. >
Nesta sexta (22), Pacheco confirmou sua saída do DEM para se filiar ao PSD. >
Aliado de Alcolumbre, ele disse que o Senado deve fazer um esforço concentrado depois do dia 15 de novembro para votar indicações para embaixadas, agências reguladoras, conselhos "e também a indicação para o Supremo Tribunal Federal". >
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"Eu acredito nessa solução nas próximas semanas, no âmbito do Senado, mas primeiro é preciso que haja de fato a apreciação pela Comissão de Constituição Justiça, que é algo que eu também aguardo e espero", declarou Pacheco. >
Para que esse calendário se concretize, Alcolumbre também precisaria organizar na CCJ um esforço concentrado -como são chamadas as sessões no Congresso em que os parlamentares votam uma lista extensa de propostas ou indicações para cargos públicos. >
O presidente do Senado disse que tem conversado "sistematicamente" com Alcolumbre sobre as pautas que precisam de aprovação da CCJ. >
"Eu acredito muito na sensibilidade do presidente Davi de poder convocar esse esforço concentrado no decorrer de novembro para a apreciação de projetos e indicações que estão pendentes. Nesta oportunidade, nós teremos a condição de esgotar a pauta de indicações, porque é uma atribuição constitucional nossa", afirmou. >
Bolsonaro oficializou a escolha de Mendonça para a vaga do ministro Marco Aurélio Mello em 13 de julho, mas Alcolumbre não pautou a sabatina na CCJ. >
A decisão de travar a indicação é considerada um recado de Alcolumbre ao Palácio do Planalto, de quem ele foi aliado quando presidiu o Senado. >
Alguns parlamentares que trabalham contra a indicação de Mendonça acreditam que a demora poderia levar Bolsonaro a desistir desse nome e escolher um novo ministro com mais trânsito no mundo político, como o procurador-geral da República, Augusto Aras. >
O presidente, no entanto, apontou que não pretende recuar. A escolha de Mendonça é parte de um compromisso com líderes evangélicos, que fazem uma campanha permanente para pressionar o governo e o Senado a ir adiante com a indicação. >
Pacheco disse à Folha de S.Paulo que, além das indicações de autoridades, o Senado pretende resolver "até o final do ano" as propostas que alteram o pagamento de precatórios e o teto de gastos públicos, além do formato do Auxílio Brasil, programa social que deve substituir o Bolsa Família. >
Segundo o presidente do Senado, a proposta que muda a regra de cálculo do teto de gastos, elaborada pelo governo, será enviada à área técnica da Casa "para uma avaliação sobre a constitucionalidade, a técnica e a regimentalidade" da alteração. Ele afirmou que essa análise deve ser feita rapidamente. >
Pacheco defendeu uma engenharia do novo programa social que leve em conta mudanças no pagamento de precatórios e que respeite as regras do teto. >
"[É fundamental] uma solução para o pagamento de precatórios que respeite o teto de gastos públicos e que possa fazer com que haja o espaço fiscal necessário para o estabelecimento de um programa social minimamente eficaz, para dar poder de compra às pessoas mais carentes", afirmou. >
O senador também confirmou o impasse em torno da proposta de reforma do Imposto de Renda elaborada pelo governo e aprovada na Câmara em setembro. >
"A minha defesa em relação à reforma tributária sempre foi de uma reforma tributária ampla. [...] O projeto de Imposto de Renda é um projeto sobre o qual há uma série de críticas e nós devemos ouvir essas críticas para tomarmos a nossa decisão. Em algum momento, o Senado vai deliberar a respeito dessa questão", disse. >
Pacheco evitou fazer uma avaliação contundente sobre os resultados da CPI da Covid, que chega à reta final no Senado com pedidos de indiciamento de Bolsonaro e aliados. >
"Minha expectativa é que as instâncias de poder [...] possam, a partir de critérios constitucionais, tomar as providências para responsabilizar as pessoas que devam ser responsabilizadas e que aquelas que, a juízo dessas instância não devam responder, que não respondam", afirmou.>
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