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Proposta paralela

Governo Lula tenta separar redução da maioridade penal de PEC da Segurança

Ministro da articulação política quer evitar alteração no texto aprovado pela Câmara

Publicado em 03 de Novembro de 2026 às 17:29

Agência FolhaPress

Publicado em 

03 nov 2026 às 17:29

BRASÍLIA - O ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, reuniu nesta terça-feira (3) líderes da base do governo para evitar a votação da redução da maioridade penal junto com a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem pressa para aprovar o projeto neste ano, mas uma mudança levaria o texto de volta à Câmara dos Deputados.

O ministro das Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães
O ministro das Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães Agência Brasil

Havia dúvida se de fato o governo Lula defenderia a separação das propostas, diante da popularidade do tema. Segundo Guimarães, o Planalto não é contra a discussão da redução da maioridade, mas afirmou que é preciso analisar a proposta separadamente da PEC, para evitar uma alteração no texto aprovado pelos deputados em março deste ano.


"Vamos votar a PEC como veio da Câmara, é a que passou na CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] e, portanto, o relator vai trabalhar para não acatar nenhuma emenda", afirmou José Guimarães após a reunião, que contou com os líderes do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP).


O relator da PEC da Segurança é o senador Rogério Carvalho (PT-SE), o que facilitou para o Planalto a construção do parecer nos moldes desejados – ou seja, com a derrubada das emendas.


Quando a PEC foi incluída na pauta do Senado no último dia 15, emendas para inserir na proposta a redução da maioridade foram protocoladas pela oposição, mas o senador Camilo Santana (PT-CE) também apresentou um texto semelhante, para impedir o desgaste do presidente Lula durante a campanha eleitoral.


Agora, passada a campanha, o governo vai tratar da redução da maioridade em separado, segundo Guimarães. "Está posta essa discussão [da redução da maioridade penal] no governo, mas não dá para misturar. O presidente Lula precisa da constitucionalização da PEC para criar o Ministério da Segurança Pública", disse ele.


O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que manterá a emenda para redução da maioridade, o que deve levar a uma votação separada desse trecho da PEC.

A proposta do PL reduz para 16 anos a inimputabilidade penal em geral e para 14 anos em caso de crimes definidos como hediondos, tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, terrorismo, organização e associação criminosa.


Em resposta, Guimarães disse que, se a oposição insistir na emenda, o texto será definido "no voto".


A aprovação de uma PEC requer 49 votos, e o Planalto acredita ter o apoio necessário para aprová-la. Para incorporar uma emenda à proposta, a oposição precisa da mesma quantidade de votos favoráveis.


Marinho evitou responder se acredita ter os votos necessários. A senadora Tereza Cristina (PP-MS), também de oposição, afirmou que o grupo não vai abrir mão de votar o trecho referente à redução da maioridade.


Teresa Leitão, líder do governo no Senado, destacou o esforço de não permitir nenhuma alteração no texto, a fim de acelerar a promulgação da PEC. "A PEC da Segurança é um instrumento vital, foi protocolada em 2025. O debate da maioridade para esta PEC é um corpo estranho. É um debate que precisa ser feito, mas não no âmbito de uma PEC estruturante do sistema de segurança pública", explicou.


O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, completou: "A partir da aprovação dessa PEC, a União será incorporada ao sistema de combate ao crime organizado e facções criminosas, que hoje é de competência dos estados. Não temos óbice ao debate de redução de maioridade penal, que está colocado na Câmara com uma comissão especial. Temas relativos tramitarão numa PEC em paralelo e serão enviados para a comissão especial".


A PEC da Segurança é um dos focos do governo neste fim de ano no Congresso. O Planalto entende que é preciso garantir sua aprovação antes da votação do Orçamento de 2027, para garantir a criação do Ministério da Segurança Pública já com previsão orçamentária. A implementação da pasta é uma promessa de campanha do presidente Lula.


Hoje, o Ministério da Justiça e Segurança Pública concentra o debate das duas áreas. Pelo desenho em discussão, o novo ministério reuniria a Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública), a Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais), a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal.


A PEC amplia o papel da União na coordenação das políticas de segurança pública e fortalece a atuação conjunta dos governos federal, estaduais, distrital e municipais no combate à criminalidade.

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