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Flávio: 'Não só vou aceitar o desafio de abrir sigilo como vou levar às últimas consequências'

Candidato do PL disse que vai aceitar desafio proposto por Lula, em debate no último domingo (18), de autorizar abertura de sigilos bancário, fiscal e telefônico, mas impõe condições

Publicado em 21 de Outubro de 2026 às 15:02

Estadão Conteúdo

Publicado em 

21 out 2026 às 15:02

SÃO PAULO - O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta quarta-feira (21) que "aceita o desafio" do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para abrir seus sigilos, mas impôs condições. Entre elas, cobrou a abertura do sigilo telefônico do ex-chefe de gabinete do petista Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e a divulgação de informações sobre o cartão corporativo da Presidência.

"Só que eu não só vou aceitar o desafio como eu vou levar até as últimas consequências", declarou o candidato do PL durante encontro com apoiadores em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo.

Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República
Flávio Bolsonaro disse que, se eleito, indicará ao STF ministros contrários ao aborto Campanha de Flávio Bolsonaro

Ao justificar a exigência sobre Marcola, Flávio afirmou que Lula não utiliza telefone celular e que as ligações destinadas ao presidente passam por pessoas próximas. O ex-chefe de gabinete atuava como um dos contatos de quem buscava falar com o petista.

"Você não tem celular, sabe quem recebe as ligações com você? O Marcola. O Lula tem o Marcola lá do lado dele", disse o senador. "Para eu abrir as minhas contas, Lula tem que abrir o sigilo telefônico do Marcola."

Flávio também exigiu a divulgação de informações sobre o patrimônio da família do presidente, as atividades do Instituto Lula e os registros de visitantes do Palácio da Alvorada.

Ao cobrar transparência sobre o cartão corporativo, mencionou a primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja. "Lula, você vai tirar o sigilo que você botou em quem visitou o Alvorada?", questionou.

As declarações ocorreram um dia depois de a campanha de Lula protocolar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para divulgar os sigilos bancário, fiscal e telefônico do presidente e de seus familiares. A liberação está condicionada à concordância de Flávio em fazer o mesmo em relação a si e à própria família.

O documento abrange os últimos oito anos e prevê a publicação das informações em uma plataforma de acesso público. A petição contém uma declaração formal de autorização, ainda sem os dados bancários, fiscais e telefônicos.

O desafio foi lançado por Lula durante o debate Band/Estadão de domingo (18). Na terça-feira (20), o petista voltou a cobrar a medida e afirmou que Flávio só poderia participar do debate da TV Globo se apresentasse o documento autorizando a quebra dos sigilos.

O encontro em Guarulhos foi realizado em local fechado e organizado pelo governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Antes da fala de Flávio, Tarcísio afirmou que Lula estava com medo e procurava uma desculpa para faltar ao debate.

Aborto e STF

O candidato do PL à Presidência da República afirmou ainda que, se eleito, indicará ao Supremo Tribunal Federal (STF) ministros contrários ao aborto. O senador também disse que uma eventual reeleição do presidente Lula abriria caminho para a escolha de integrantes que votariam pela descriminalização do procedimento. "A gente vai colocar lá pessoas corretas, homens e mulheres que respeitam a Constituição, que sejam contra as drogas, que sejam contra o aborto", declarou.

Ao abordar o tema, Flávio citou a ação apresentada pelo PSOL ao Supremo para descriminalizar a interrupção voluntária da gravidez até a 12ª semana de gestação. O candidato afirmou que Lula poderia indicar quatro ministros e, na avaliação dele, formar uma maioria favorável à medida.

O senador mencionou os votos de Rosa Weber e Luís Roberto Barroso, apresentados antes de suas aposentadorias, em favor da descriminalização do aborto nas primeiras 12 semanas de gestação. Ao votar, Barroso afirmou que a discussão envolve o uso da punição criminal contra mulheres que interrompem a gravidez e defendeu que o tema seja tratado como questão de saúde pública.

"Desde a concepção tem vida", afirmou Flávio, ao defender sua posição contrária ao aborto.

O candidato também disse que impedirá novas indicações de Lula ao tribunal com uma vitória no segundo turno.

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