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Ataques em Brasília

'Faça quando quiser fazer', diz Lula sobre criação de CPI do 8 de janeiro

Em Portugal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que o Congresso pode criar a comissão e que não haverá interferência do governo federal

Publicado em 22 de Abril de 2023 às 09:58

Agência FolhaPress

Publicado em 

22 abr 2023 às 09:58
Lula, ao lado do presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, e da primeira-dama Janja
Acompanhado da primeira-dama Janja e ao lado do presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, Lula falou sobre a CPI Crédito: Ricardo Stuckert
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse neste sábado (21) em Portugal que o Congresso pode criar a CPI mista do 8 de janeiro quando ele quiser, sem interferência do governo federal. "Faça quando quiser fazer", afirmou o presidente.
Lula demonstrou incômodo com pergunta sobre problemas internos do Brasil e disse que tomará uma decisão sobre o futuro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) quando retornar ao país.
Ao lado do presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, Lula disse que o Brasil e o restante do mundo estão com suas democracias e suas instituições ameaçadas pela violência política e pelo discurso de ódio em tornos das fake news.
Lula ainda citou a extrema-direita do Brasil, de Portugal e dos Estados Unidos e a análise do PL das Fake News no Congresso, que deve ser apreciado na semana que vem no plenário da Câmara dos Deputados.
Na última quarta-feira (19), o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Gonçalves Dias, pediu demissão do cargo após a divulgação de imagens que colocam em xeque a atuação do órgão durante o ataque golpista de 8 de janeiro.
A saída dele do governo ocorreu pouco depois de uma reunião com o presidente, que aceitou o pedido de demissão. Trata-se da primeira queda de ministro na atual gestão, três meses e 19 dias depois do começo do mandato.
A crise que levou à saída do chefe do GSI teve como estopim a divulgação, pela CNN Brasil, de imagens do circuito interno da segurança durante a invasão da sede da Presidência da República que indicariam uma ação colaborativa de agentes com golpistas e a presença de Gonçalves Dias no local.
O destino do general foi selado em meio à recusa de divulgar imagens da invasão ao Planalto. Uma semana após os ataques de 8 de janeiro, o governo divulgou vídeos editados, em particular com trechos que evidenciavam que os militantes eram aliados de Bolsonaro. No entanto, recusou um pedido da Folha de S.Paulo, via Lei de Acesso à Informação, para divulgar a íntegra das gravações.
A queda do comandante do GSI deve tornar inevitável a criação de uma CPI no Congresso sobre os atos golpistas, que já vinha sendo cobrada pela oposição sob resistência da gestão Lula, que agora deverá mudar de estratégia.
A relação de amizade entre o general Gonçalves Dias, chamado de GDias pela equipe do governo, e Lula é antiga. Foi o militar que chefiou a segurança do petista durante seus dois primeiros mandatos (2003-2010), atuando como uma espécie de sombra em agendas no Brasil e no exterior.
Lula decidiu nomear o ex-interventor da segurança no Distrito Federal Ricardo Cappelli para comandar interinamente o GSI.
Segundo as imagens da invasão ao Planalto, os golpistas receberam água dos militares e cumprimentaram agentes do GSI durante os ataques. Nos vídeos, o próprio general Gonçalves Dias circula pelo terceiro andar do palácio, na antessala do gabinete do presidente da República, enquanto os atos ocorriam no andar de baixo.

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