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Em conversa com chanceler chinês, ministro discute cooperação para insumos

Trata-se da primeira conversa do ministro das Relações Exteriores com o chefe da diplomacia da China, um dos principais fornecedores de insumos para vacinas contra Covid-19

Publicado em 10/04/2021 às 11h31
Atualizado em 10/04/2021 às 11h31
Ministro de Estado das Relações Exteriores, Embaixador Carlos Alberto Franco França
Ministro de Estado das Relações Exteriores, Embaixador Carlos Alberto Franco França. Crédito: Gustavo Magalhães/MRE

novo ministro das Relações Exteriores, Carlos França, conversou, na noite de sexta-feira (9), com o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi.

Trata-se da primeira conversa de França com o chefe da diplomacia da China, um dos principais fornecedores de insumos para vacinas contra a Covid-19 e país que esteve no centro do processo de fritura que culminou com a demissão do ex-chanceler brasileiro, Ernesto Araújo.

De acordo com o Itamaraty, os ministros "concordaram na urgência do combate à pandemia e da cooperação em vacinas, IFAs [ingrediente farmacêutico ativo] e medicamentos".

"Autoridades dos dois países estão em contato permanente para agilizar as remessas, essenciais para salvar vidas", afirma o ministério, em nota.

"Trataram também das promissoras perspectivas em comércio e investimentos. Conversaram sobre a evolução positiva do relacionamento sino-brasileiro e os números crescentes do comércio -recorde de US$ 102,6 bilhões [R$ 583 bilhões] em 2020".

De acordo com interlocutores, França e Wang abordaram na conversa o pedido feito pelo governo brasileiro em março pelo envio de 30 milhões de doses da vacina fabricada pela empresa Sinopharm.

Autoridades brasileiras acreditam que o lote poderá ser enviado ao Brasil até o final do ano.

Segundo relatos, Wang disse que cooperaria com o pleito brasileiro de tentar viabilizar a venda.

Em seu discurso de posse, na terça-feira (6), França prometeu engajar o Itamaraty numa "verdadeira diplomacia da saúde". Ele destacou que "as missões diplomáticas e os consulados do Brasil no exterior estarão cada vez mais engajados numa verdadeira diplomacia da saúde".

"Em diferentes partes do mundo, serão crescentes os contatos com governos e laboratórios, para mapear as vacinas disponíveis", disse. "São aportes da frente externa que devemos trazer para o esforço interno de combate à pandemia. Aportes que não bastam em si, mas que podem ser decisivos."

O primeiro pronunciamento de França à frente do Itamaraty contrastou com as declarações do ex-chanceler, Ernesto Araújo.

Expoente da ala ideológica, Ernesto costumava utilizar seus discursos para defender o combate do comunismo, além de ter acumulado um histórico de ataques à China.

A principal crítica ao ex-titular do Itamaraty foi seu histórico de rixas com país asiático, um dos principais fornecedores de insumos para imunizantes e de medicamentos no mercado internacional.

Uma das maiores preocupações da nova gestão no Itamaraty é tentar manter um fluxo de matérias primas que garanta o cronograma de produção de imunizantes do Instituto Butantan -que fabrica no Brasil a Coronavac– e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) –responsável por produzir doses da AstraZeneca.

O Butantan, por exemplo, está com o envase da Coronavac paralisado enquanto espera por mais IFA. O envase já havia sido paralisado em outros momentos.

A entrega da matéria-prima era esperada para a semana atual, mas houve um atraso e o Butantan conta com a chegada para a próxima semana.

Apesar do adiamento no recebimento da matéria-prima, o instituto afirma que o cronograma de entrega de doses não será afetado.

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